Para realizar a difícil tarefa evangelizadora, que envolvia o trabalho de tradução, os missionários jesuítas dos séculos XVI e XVII tiveram que produzir uma "língua geral da costa". A descontextualização lingüística resultante produziu significações peculiares no ponto de vista cultural, de tal maneira que a nova gramática e a nova semântica poderiam ser entendidas no interior de um processo histórico de encontros de culturas. O "outro" (a diversidade cultural) e o "mesmo" (a ortodoxia religiosa) se verificam, a partir do século XVI, nos catecismos elaborados nas línguas exóticas americanas. Tais registros evidenciam não apenas a redução da alteridade indígena na perspectiva literário-religiosa ocidental, mas também o alargamento dessa mesma perspectiva pela necessidade de incorporação das instituições mítico-rituais dos índios.
Jesuítas e Selvagens - A negociação da fé no encontro catequético ritual americano-tupi (séculos XVI-XVII)
Adone Agnolin
Humanitas / Fapesp
2007
560 páginas
18h 40m
ISBN-13: 9788577320448
Português Brasileiro
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