Preces e mentiras não é um livro de difícil leitura, narrado em primeira pessoa em uma linguagem simples e coloquial é daqueles tipos que vc ler praticamente de uma vez. Mesmo eu que tenho tido muito dificuldade de ler nos últimos dias devorei o livro em dois dias apenas, pois a coisa mais fácil do mundo foi me envolver história de uma grande família de uma cidade do interior contada por um de seus membros mais jovens a Bethany.
Bethany é a quarta filha de um casal de pais evangélicos que cresceram em um vale em West Virginia, protótipo de uma cidade do interior cuja população quase toda parece ser ligada por laços de parentesco e o ponto de encontro de toda comunidade é uma igrejinha local, a Igreja Batista Cristo Rei. Laços sangue e fé parecem ser a liga que unem os habitantes da pequena comunidade que habita aquele vale. A família de Bethany não mora no vale, mas uma vez por ano, nas férias de verão eles vão para lá irrevogavelmente e é a época do ano que a narradora do livro mais gosta.
No entanto, a parte o fato da Bethany pertencer a uma família grande, com três irmãs, ela se sente meio por fora, não tem muitos pontos em comum com suas irmãs mais velhas e para completar vivem em constante conflito com uma delas, a Tracy, uma criança problemática que tem uma aparência de anjo e usualmente se comporta como um pequeno demônio.
A grande amiga da Bethany é a sua prima Reane Mae, e é em torno dos dramas, conflitos e mistérios que cercam a vida dessa menina complicada e sofrida que gira a narrativa construída pela Sherri Wood Emmons em “Preces e Mentiras”.
Preciso admitir que mais difícil que ler preces e mentiras esta sendo escrever sobre o livro. Bethany é um personagem com o qual me identifiquei de muitas formas, como ela, também cresci no seio de uma família evangélica na qual a fé é um dilema constante e aos sete anos eu achava todos perfeitos, moralizados, corretos, idôneos, felizes e perfeitos.
Mas, os anos passam, a gente cresce e à medida que cresce vai descobrindo que as preces escondem mentiras e aquele mundo no qual ou as pessoas são boas ou são más não existe, a vida é feita de nuances e, como costuma dizer minha mãe, todas as pessoas possuem uma história. A questão é que nem todas as histórias são bonitas, algumas escondem violência, injurias, caos, medo e terrores que parecem ter saído das páginas policiais do jornal ou coisa pior.
Pode ser muito duro descobrir o que existe por trás de todos aqueles rostos sorridentes cantando em uníssono “Aleluia ao bom Deus...” e a Bethany vai descobrindo isso ao longo da história, assim como eu descobrir ao longo de meu amadurecimento através de vários tipos diferentes de experiências nada fáceis. A gente descobre pouco a pouco que a vida é mais complexa do que parece, o mundo não é preto e branco, ele tem nuances, diversos tons multicoloridos e enquanto as mentiras são reveladas nós podemos descobrir que as pessoas são muito mais do que pensamos que seria possível ser e aprender a compreender o motivo de cada uma delas.
A Sherri começa seu livro dizendo: “A Bíblia diz que os pecados dos pais são carregados pelos filhos até a décima sétima geração. Mas eu acredito que são as filhas que suportam o peso dos pecados da maioria das famílias...”. Bem, realmente muitas vezes os filhos podem vim a pagar pelos erros dos pais, mas a Bíblia ensina que para cada pecado existe a possibilidade do perdão, não há mentira que cedo ou tarde não seja revelada e até mesmo as mulheres, sobre as quais muitas vezes o peso dos crimes alheios mais pesa, podem de repente virar a mesa de suas vidas e serem felizes.
Resenha por Jaci Clemente _ Pandora
http://www.skoob.com.br/usuario/62017-pandora
Postagem original na Saleta de Leitura
http://saletadeleitura.blogspot.com.br/2012/12/resenha-do-livro-preces-e-mentiras-de.html