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    Ocultismo, Bruxaria e Correntes Culturais - Ensaios em Religiões Comparadas

    Mircea Eliade

    Interlivros
    1979
    135 páginas
    4h 30m
    Português Brasileiro
    3.5
    16 avaliações
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    No período dominado pelos triunfos do racionalismo científico, como podemos explicar o sucesso extraordinário de movimentos ocultistas como astrologia ou o renascimento da bruxaria? De sua perspectiva, como um historiador das religiões, o eminente estudioso Mircea Eliade mostra que tais tendências populares desenvolver a partir de raízes arcaicas e, periodicamente, ressurgir em certos mitos, símbolos e rituais. Em seis ensaios lúcidos coletados para este volume, Eliade revela o profundo significado religioso que está no coração de muitos contemporâneos vogas culturais. Uma vez que todos os ensaios, exceto o último foram originalmente apresentado como palestras, seu caráter introdutório e estilo oral animada tornam particularmente acessível ao não especialista inteligente. Ao invés de uma popularização, Ocultismo, Bruxaria, e modas culturais é o cumprimento da condenação de Eliade que a história das religiões deve ser lido pelo público mais amplo possível.

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    Jocelia Lima13/06/2015Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Correntes Culturais e Historia das Religiões

    De caráter introdutório, a intenção principal da obra é reviver alguns problemas antigos, ora esquecidos, ou reabrir antigas controvérsias sobre os diversos assuntos abordados. A obra surge a partir de anotações e matérias na preparação de conferências, e artigos de revistas, uma vez que foram preparadas para audiências basicamente compostas por não especialistas, tornando se acessível a qualquer leitor inteligente. O autor , aborda várias temáticas conduzindo os leitores a reflexões sobre os mais diversos assuntos, dentre eles , as correntes culturais que revelam ao homem Ocidental um pouco de suas melancolias em relação a sua existência , conduzindo o leitor a refletir sobre a homogeneidade e heterogeneidade dos espaços sagrados e profanos, como também a refletir as mitologias da morte. Neste ensaio o autor levanta a seguinte questão: Em que sentido o historiador das religiões pode contribuir para a compreensão de movimentos literários e filosóficos, e o que ele tem a dizer como historiador das religiões com relação às tais manifestações das correntes culturais? O autor dá ao historiador das religiões a tarefa de perceber as semelhanças marcantes entre as diversas teorias, confere também ao historiador das religiões decifrar alguns significados ocultos nas assim chamadas correntes culturais. Muito além de aspecto geral, algumas correntes culturais são extremamente significativas para o historiador das religiões, pois para o homem Ocidental, as correntes culturais revelam um pouco de suas nostalgias, por essa razão, o autor desvenda alguns segredos trágicos do intelectual Ocidental moderno enfatizando sua insatisfação profunda em relação ás formas desgastadas do Cristianismo histórico e seus desejos de livrar- se violentamente da fé de seus antepassados ,sendo assim a corrente cultural é imensamente significativa , não importando o seu valor objetivo. O sucesso de certas idéias ou ideologias nos revela a situação espiritual e existencial daqueles para quem essas idéias ou ideologias constituem um tipo de soteriologia. No inicio da década de 60 o ambiente cultural foi dominado por uma ciência redentora , uma mistura curiosa de ciência popular, ocultismo, astrologia, ficção cientifica e técnicas espirituais sendo difundida por uma Revista chamada Planete ao qual difundia uma ciência redentora; uma informação científica , que era ao mesmo tempo soteriologica. O homem não estava mais alienado e inútil em um mundo para o qual ele teria vindo por um acidente e em vão, mas a nostalgia por uma perdida solidariedade mística com a natureza, em que a natureza é carregada de valores religiosos , mesmo retendo sua realidade completamente objetiva ainda persegue o homem moderno.Dessa maneira, as três correntes parecem ter algo em comum ; uma reação drástica ao existencialismo , sua indiferença à historia , sua exaltação a natureza física , claro que não podemos reduzir o significado dessas correntes culturais à velha e conhecida tensão entre ‘’Cosmos e Historia’’, entretanto o que é especifico e novo é o interesse quase religioso pelas estruturas e valores deste mundo natural, dessa substancia cósmica tão brilhantemente explorada pela ciência e transformada pela tecnologia. De fato, para o homem religioso o próprio fato de viver no mundo tem um valor religioso, isso porque ele vive num mundo criado por seres sobrenaturais. As imagens e o símbolos cosmológicos que animam o mundo habitável , não é apenas um sistema de idéias religiosas, mas também um modelo de comportamento religioso, existindo uma diversidade espacial, expressado na experiência de uma oposição entre o Espaço Sagrado – o único e real existente – e todos os outros espaços denominados por Profano. É por essa razão que o homem religioso sempre procura fixar sua residência no ‘’centro do mundo’’, se o mundo é para ser vivido, deve ser fundamentado – e nenhum mundo pode fugir do caos da homogeneidade do espaço profano, sendo assim, casa não é um objeto, é o universo que o homem constrói para si mesmo, imitando a criação paradigmática dos deuses,portanto o ato de construir e de se instalar numa nova moradia são, equivalentes a um novo começo, uma nova vida. E cada começo repete ao começo primordial, quando o universo viu a luz pela primeira vez. Abordando também as Mitologias da Morte, o autor descreve a morte como um modo de ser ‘’completamente espiritual e sagrado’’, sendo o destino de todo o homem Ocidental. Para as culturais tradicionais, a existência da morte como fato existencial é atribuído a um acidente infeliz que ocorreu nos primórdios da humanidade. Os ancestrais míticos desconhecem a morte. São os mitos que relacionam o aparecimento da morte a uma relação estúpida dos antepassados míticos. Dessa forma a morte torna- se parte integrante da condição humana, porque é a experiência da morte que torna compreensível a noção de espírito e de seres espirituais.Da mesma forma que os ancestrais perderam sua imortalidade através de um acidente ou um artifício do demônio, também, o homem de hoje morre vitima de acidentes mágicos, espíritos ou outros agressores sobrenaturais. Todavia, a separação do corpo e da alma inaugura um novo modo de ser, a partir de então o homem é reduzido a uma existência espiritual, tornando-se um espírito, uma alma. A morte é considerada um segundo nascimento, o começo de uma existência nova espiritual, a morte é uma iniciação, uma introdução em um novo modo de ser. Esse paradoxo já esta implícito na interpretação primitiva do ato de morrer como o começo de uma nova modalidade de existência. Ninguém pode afirmar conhecer todos os paraísos, infernos, submundos e mundos opostos, nem tampouco, pode afirmar que conhece as vias de acesso a essas terras fabulosas, contudo o mais interessante, não é a variedade de terras, mas como elas alimentam nossa imaginação. O fato de as mitologias da morte e as geografias funerárias tornarem-se parte integrante da rotina do homem moderno é bastante importante e significativo, visto que, os historiadores das religiões podem ir mais longe e mostrar que muitos gestos e ações da vida diária estão relacionados com modalidades e níveis de morte. Mesmo o homem Ocidental moderno, apesar de sua ignorância religiosa e sua indiferença ao problema da morte, ainda se encontra envolvido pela discussão misteriosa. Com efeito, embora carente de significados religiosos , em conseqüências da rápida secularização da sociedade atual, a morte tornou- se o verdadeiro centro da indagação filosófica. ‘’ O anseio do homem moderno por uma compreensão existencial da morte’’.

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    Mircea Eliade

    Historiador e romancista romeno naturalizado norte-americano, foi um dos mais importantes e influentes historiadores e filósofo das religiões da contemporaneidade.

    42 Livros
    119 Seguidores

    Mircea Eliade