Canteiros de Saturno -

    Ana Maria Machado

    Alfaguara
    2012
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788579621642
    Português Brasileiro

    Canteiros de Saturno, de Ana Maria Machado, foi originalmente lançado em 1991 e oferece um rico relato sobre a relação a dois, em uma vida marcada por nascimentos, pelo amadurecimento e pela inevitável presença da morte. Com técnica apurada, a autora constrói uma história sobre amores, amizades e traições, narrada por múltiplos personagens. Ao adotar como pano de fundo um momento crucial da recente história do Brasil - a transição do regime militar para a democracia e a crescente violência nas grandes cidades -, Ana Maria Machado descreve os dramas de casais diversos. Às voltas com os contratempos em seus casamentos e relações pessoais, além da constante tentação que paira em encontros fortuitos no dia-a-dia, eles vivem situações relacionadas à fugacidade do tempo e do amor. Seus personagens, nem sempre de maneira consciente, estão à procura dos breves momentos de felicidade, sempre diante de impasses pessoais e profissionais. Entre eles, estão histórias atordoantes de traição, envolvimento político e dúvidas sobre o futuro de suas carreiras e amores. Personagens como Isadora, Leonardo, Bárbara e Mariana, entre outros, têm seus dramas relatados como em uma constante corrida contra Saturno – o deus romano do tempo e da criação, que dá nome ao romance. Localizado no Rio de Janeiro da década de 1980 e com passagens situadas na Europa, o livro traz à tona um período conturbado na história do país, mas pouco abordado na literatura: a campanha pelas eleições diretas, a morte de Tancredo Neves, os trabalhos da Constituinte, a inflação desenfreada e o aumento da criminalidade e da violência urbana. Na medida em que os eventos se sucedem, os personagens percebem que o tempo parece escapar cada vez mais de seu controle. Ana Maria Machado explora neste romance as variedades que a literatura oferece, a exemplo de seus demais livros. Ela renova a forma tradicional da escrita, buscando sempre alternativas estilísticas e inovadoras para contar uma história. Ao mesclar distintos gêneros narrativos em diversos trechos do romance, com referências a autores como Gabriel García Márquez, e ao narrar as angústias dos protagonistas em primeira pessoa, a autora constrói um romance multifacetado e rico em possibilidades.

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    Michelle Hummel22/02/2015Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Saturno e as árvores.

    Sempre gostei de Ana Maria Machado. Ao divisar um título dela no meio de tantos outros...Não resisti. Tinha que dar um jeito de ler. Afinal, nunca havia lido nada dela direcionado para o público adulto. Era uma necessidade. Infelizmente, não curti muito a leitura. E, longe de querer ser vaidosa, senti uma semelhança absurda entre mim e ela. E me refiro a forma de escrever. Sou do tipo que costuma usar muito o pretérito mais que perfeito do indicativo nos verbos - decidira, interferira...Enfim... É a primeira vez que noto esse aspecto em um escritor. É besteira dizer, mas percebi que esse é um detalhe bastante sutil. Lembro-me que alguém ao ler o que escrevia disse que era algo raro. Difícil ver alguém escrevendo nesse tempo verbal. Acabei introjetando a informação. Segundo: quando escrevo não utilizo muitas falas. Mas, sim, parágrafos e parágrafos de sentimentos em relação as personagens. Na ocasião - pois, confesso, não escrevo há tempos - levei um certo puxão de orelha. E decidi que tinha de aprender como fazer algo mais direto, mais limpo. E desde então, venho lendo vários autores para sentir os diversos estilos. É a primeira vez que noto essa semelhança. Coisa tola, eu sei. Longe de ser uma Ana Maria Machado (impossível, claro.), mas essa semelhança doeu um pouco. Ainda mais porque...Não gostei tanto. A história gira em torno de algumas personagens às voltas com seus problemas românticos. Para mim, havia muita digressão. Uma personagem entrava às voltas com suas teses sobre a vida e lá se iam páginas e páginas. Teorias literárias, sobre o Brasil, política...Achei um pouco chato. Embora, todos esses pensamentos constituíam a personagem e nos mostravam quem era ela. Tudo, para mim, foi muito confuso. Uma ciranda viva de casais. Troca dali, troca de cá. Fica aqui, fica acolá. Será que eu sou muito moralista? Ainda mais porque a autora insistia em manter uma personagem ligada à Terra, às árvores. Paradoxo mortal! Uma árvore finca raízes, constitui um terreno sólido. As histórias do livro eram buscas. Tudo, menos lineares. Saturno e as árvores. Uma coisa a se pensar. Minha história favorita foi a de Isadora e Bárbara. Principalmente pela primeira, que desenvolveu-se e cresceu. Achei algumas falas interessantes e fiquei curiosa sobre duas personagens reais brasileiras: Luisa Valente e Maria Ortíz. Duas guerreiras brasileiras na época das capitanias. Vale uma pesquisa mais profunda. Mas, não. Não gostei tanto da leitura. Acho que já sei o motivo: Talvez o meu regente não seja Saturno.

    1 curtida

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