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    A ocasião -

    Juan José Saer

    Companhia das Letras
    2005
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788535906660
    Português Brasileiro
    3.8
    54 avaliações
    Leram84Lendo0Querem91Relendo0Abandonos3Resenhas6
    Favoritos2Desejados91Avaliaram54

    Bianco é capaz de ler os pensamentos alheios, deslocar objetos usando a concentração mental e modificar a forma e até a substância íntima dos metais com o simples contato dos dedos. Mas durante uma demonstração do poder da mente, o ocultista é ridicularizado diante do público e obrigado a abandonar a Europa, perseguido pela "conspiração dos positivistas de Paris". Bianco se instala nas grandes planícies dos pampas argentinos, onde o contato com a terra úmida e desértica lhe parece indicado para recuperar suas forças ocultas. É nessas planícies sem fim, às quais chega estafado da Europa, que conhece sua futura mulher. Obcecado pela inquietante figura de Gina, Bianco mergulha progressivamente no delírio e na solidão.

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    Eliz Oliveira19/02/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Quero ler mais obras de Saer...

    A passos lentos e tateando no escuro, resolvi entrar no mundo natural cercado por rios, campos, obsessões e ações nada convencionais do argentino Juan José Saer. Em A ocasião, o leitor é envolto numa névoa de dúvida e angústia, elementos que circundam a vida de Bianco, um homem munido do poder de ler mentes e transformar a matéria de objetos. Com seus dons peculiares, ele passa a questionar convenções sociais e reflexões filosóficas que envolviam a sociedade europeia do século XIX. Convidado pelos positivistas de Paris para uma demonstração dos seus poderes, Bianco se vê encurralado pela humilhação, sente seus poderes diminuírem e a sensação de pertencimento se esvair. Perdido, resolve ir embora para recuperar os poderes nas belíssimas planícies dos pampas argentinos. Num cenário de paz e infinitude, ele pretende dedicar seu tempo à abstração e à elaboração de um sistema que derrube os pensamentos dos positivistas. Tomado por uma aparente guinada, testemunhamos como Bianco se afasta do seu objetivo inicial e mergulha num poço de ciúmes e obsessão por Gina, sua esposa, e na solidão do sentimento de ser estrangeiro e não pertencer mais a nenhum lugar. Apesar de não ter me conectado com nenhum personagem em especial, concluí e gostei do livro por conta da incrível prosa de Saer. Sua capacidade de nos deslumbrar com descrições da natureza ? característica já conhecida de suas obras ?, capazes de nos fazer enxergar, sentir texturas e aromas e nos maravilhar com as cores e o infinito plano dos campos argentinos. Saer escreve para leitores que questionam a aura supersticiosa da literatura. Aqui, nada é o que parece, mas, enquanto lemos, exploramos os caminhos da ficção e nos tornamos aferrados à realidade. Nestes dias de janeiro as pessoas se sentem mais abandonadas, mais perdidas, mais irreais; se nos dias frescos a vida já parece irracional e vazia, nos meses de verão a condição dos homens e das coisas se fragiliza e tudo tende, levemente febril e exaurido, à aniquilação.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 54
    • 5 estrelas26%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas4%
    Juan José Saer profile picture

    Juan José Saer

    Nasceu na Argentina em 1937. Foi professor na Universidad Nacional del Litoral, onde lecionou história do cinema e crítica e estética cinematográfica. Auto-exilado na França desde 1968, radicou-se em Paris. Foi ainda professor na Universidade de Rennes. Considerado um dos maiores escritores argentinos da geração pós-Borges, escreveu romances, contos, poemas e ensaios, traduzidos no mundo todo. Faleceu em junho de 2005, em Paris.

    32 Livros
    11 Seguidores

    Juan José Saer