Avaliação de Programas de Saúde do Adolescente - Um Modo de Fazer

    Oswaldo Y. Tanaka, Cristina Melo

    Universidade de São Paulo
    2001
    83 páginas
    2h 46m
    ISBN-13: 9788531406171
    Português Brasileiro
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    Felipe Alvarenga Marim13/05/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A avaliação em saúde volta-se para a inovação daquilo que já vem sendo produzido, buscando construir conhecimento que proporcione resolução de problemas e novas práticas cotidianas tanto para aqueles que executam programas de saúde quanto aqueles que promovem os serviços, olhando sempre para os usuários. Estes são atores muitas vezes desconsiderados nessa equação, mas são diretamente afetados pelo objetivo final do processo: proporcionar cuidado e assistência integral, equânime e de qualidade. Deste modo, é importante que a avaliação seja tratada como um elemento natural do trabalho cotidiano e, mesmo quando direcionada aos programas de saúde, não deve se distanciar do contexto do sistema e das redes de serviços de saúde e da densa dinâmica social e sua capacidade de afetar o processo avaliativo. Por trás de todo processo avaliativo há uma intenção, não somente ato descritivo e diagnóstico. A avaliação se concretiza como um espaço de negociação onde estão em disputa objetivos e hipóteses definidos a partir dos interesses dos atores envolvidos no processo. Já em relação aos atores envolvidos, sua participação também afeta o processo avaliativo e entra no processo de tensionamento de interesses, onde é preciso que se proporcione participação efetiva (que proporcione fortalecimento político) de todos os atores envolvidos permitindo compreender a abrangência de seu poder, governança e manejo de estratégias. Tomando como referencial teórico a tríade donabediana (de Avedis Donabedian), a avaliação em saúde pode se estruturar em três eixos: estrutura, processo e resultado. O livro apresenta como uma forma de operacionalizar a avaliação tomando seu início a partir do processo, ou seja, a partir daquilo que faz com que as condições previstas para que os serviços de saúde funcionem (estrutura), se concretizem na interação com os usuários (resultado). Todo processo avaliativo trabalha baseado em dados e informações. Os dados são inúmeros, geralmente coletados periodicamente de maneira sistemática e compilados em sistemas de informação, bancos, arquivos, documentações, relatórios, boletins, entre outros. O dado em si não é informação. A informação é gerada a partir da articulação desses múltiplos dados, de sua análise, do processo de conferir sentido, lógica e representação ao que os dados indicam e, a partir de um movimento de comparação são capazes de direcionar a avaliação para um julgamento de valor e ações. Essas informações se tornam indicadores e estes têm diversas potencialidades. Por exemplo, indicadores relacionados à estrutura podem direcionar para uma tomada de decisão relacionada ao investimento em recursos necessários para o sistema, serviço ou programas de saúde. Já os indicadores relativos ao processo envolvem decisões por ações referentes à melhora e otimização do modus operandi, enquanto a escolha de um indicador de resultado está direcionada para a tomada de decisão de prosseguimento ou não da intervenção realizada. Mas esses indicadores sozinhos representam o quê? Uma cobertura de 50% de certo serviço no território deve ser vista como o copo meio cheio ou meio vazio? Depende do otimismo ou pessimismo do pesquisador? Para esse processo comparativo se tem o que é chamado de parâmetro, que constitui um referencial preconizado e possível, pois considera o contexto no qual aquilo que é avaliado está inserido. Deste modo os parâmetros não são e não devem ser tomados como simples metas ou padrões ideais a serem atingidos, devendo ter certa flexibilidade conforme o processo avaliativo se aproxima do objeto avaliado. O processo de comparação e análise normalmente se inicia pelo que já está dado, ou seja, trabalha-se inicialmente com os dados existentes e disponíveis. Estes, normalmente dados quantitativos, são capazes de fornecer informações que instigam percepções, questionamentos, hipóteses e a possibilidade de necessidade de coleta de novos dados acerca do que está sendo avaliado, além de já fornecerem insumos para responder à pergunta avaliativa propriamente dita. Há, também, a possibilidade de se trabalhar com dados qualitativos, tanto os previamente disponíveis quanto aqueles coletados durante o processo avaliativo. Estes seguem com o mesmo princípio de fomentar a formulação de novas questões, além de responder à questão avaliativa inicial. A abordagem quantitativa irá trabalhar mais com a descrição e significação de elementos ditos como inerentes ao objeto avaliado, sendo mais focalizada e estruturada, além de trabalhar com técnicas de análise dedutivas orientadas pelo resultado. Já a abordagem qualitativa tende a trabalhar com significados socialmente construídos, com os contextos e as interações dadas. É uma abordagem menos estruturada quando comparada à abordagem quantitativa e o processo de análise é mais indutivo e orientado pelo processo. Enquanto a abordagem quantitativa tem resultados mais generalizáveis, a abordagem qualitativa não o tem. O processo de avaliação em saúde é basicamente fazer um julgamento de valor sobre o que se tem com base em critérios definidos previamente à avaliação propriamente dita. Olha-se para inquietações, problemas e, a partir do uso de instrumentos e referências, emite-se um juízo de valor quanto ao identificado, direcionando o olhar para decisões que devem ser tomadas para enfrentar e solucionar as questões incômodas. Em resumo, avaliar consiste em observar, medir, comparar, emitir juízo de valor e realizar uma tomada de decisão.

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