Eu recebi esse livro de presente, entre outros, enviado pelo próprio escritor. Nunca pensei que alguém que já tem tantas obras escritas pudesse ser tão humilde e acessível. Foi uma grata surpresa ele ter respondido meu direct no Instagram.
A história conta sobre dois irmãos. Um pouco antes de falecer, a irmã decide colocar em cartas um segredo que já não suporta mais guardar. Assim, ela escreve uma carta para o marido e outra para um de seus filhos. Após a sua morte, só depois de muito tempo o marido descobre a carta, onde ela conta que seu primogênito não é seu filho biológico, mas um substituto para o verdadeiro, que faleceu. Quase no fim do livro, esse filho descobre a verdade. A história tem muitas reviravoltas; em menos de 10%, já tinham acontecido tantas coisas que eu precisei pausar a leitura para absorver o que li e digerir cada fato antes de continuar. Até contei o que li até aquele momento para algumas pessoas próximas, que também são leitores, e elas afirmaram que realmente eram muitos elementos para só 23 páginas lidas.
O início me deixou ressabiada, pois na capa está o rosto de uma mulher que mais parece da banda Paramore, com o cabelo tingido de um ruivo que mais parece água de salsicha. O título, a princípio, não entregava muito, mas se fosse como o que já conhecia de outro livro do escritor, então o título só faria jus ao final do livro, e com esse não foi diferente.
O que mais me maravilha nesse livro é a destreza com que o Meco detalha o sofrimento e as condições que os negros viviam, desde a fome e o frio numa senzala até um negro que se veste bem e tem posses, mas ainda não é visto como uma pessoa.
Quando assistia e lia sobre o século 18, geralmente, quando é um romance, o escritor não se atenta a esses detalhes que eram uma realidade vivida na época. E o Meco consegue mesclar a escrita e a descrição entre a corte e a escravidão de forma muito equilibrada e linear.
Na reta final do livro, quando já tinha feito quase todas as suturas, aconteceu uma reviravolta na história. Mas uma reviravolta daquelas que você precisa parar, fechar o livro e processar o que acabou de ler. Eu ainda estou incrédula com tamanha perfeição na nossa literatura brasileira. Comecei a ler achando que receberia um romance, mas logo no início percebi que seria um romance repleto de mentiras, segredos e paixões. E não muito depois, o que recebi foi visceral. Como a história se passa no século 18, li muitas descrições que dilaceram a alma. A forma como os escravos viviam e eram tratados por seus senhorios, e também como eram vistos pela sociedade. Como já li diversos livros sobre o tema, não achei que iria me impactar, e eu não podia estar mais errada.
Muito obrigada, Américo, por ter me enviado esse livro tão bom para fechar com chave de ouro 2024. Acabei de ler esse livro com uma sensação de paz e aconchego. Que livro esplendoroso!
Corri para agradecer mais uma vez ao escritor, não só por ter me dado esse presente incrível, mas também por sua escrita. Espero que nunca pare, pois o que ele faz é muito bom.