“Johnny era um amigo querido, era ranzinza, era leal, de bom coração, afável por dentro, intransigente, e bem.. ranzinza”. Assim Lisa Presley definiu Johnny, o mais controverso Ramone. Engraçado e mal-humorado, explosivo e amável, carismático e odiado, extremamente competitivo e talentoso, muitas são as características que o definem, mas só lendo essa autobiografia que os fãs conseguem realmente entender sua essência, que de simples não tinha nada. Aqui ele mesmo nos conta como começou a gostar de rock, através de uma jukebox no bar de seus pais, aos 7 anos, e depois, como foi que a banda se formou, quando ninguém ainda sabia tocar nada. Ao contrário do que alguns desavisados podem achar, os Ramones não eram irmãos. “Dee Dee inventou o nome. Ele ouviu dizer que Paul McCartney às vezes se registrava em hotéis usando o pseudônimo de ‘Paul Ramon’, então ele começou a se chamar de Dee Dee Ramone. Todos decidimos adotar o mesmo nome. Isso nos daria um senso de unidade, e achamos que nos ajudaria a marcar mais presença”. E de presença eles entendiam. A ideia era sempre manter a simetria no palco, usar poucos acordes pra fazer ‘rock puro’ e fazer uso do apelo visual através do ‘uniforme’, que era basicamente composto por mullets, jaqueta de couro preta, camiseta e calça jeans surrada. De garoto problemático à rockstar problemático, Johnny não esconde nada nessa publicação, que conta ainda com uma avaliação 'álbum a álbum' feita por ele mesmo, além de muitas, mas muitas fotos raras e curiosidades nunca antes reveladas.
* Confira minhas outras resenhas no Instagram @livro100spoiler