Terror psicológico dos bons? Temos!
Eu amo a produção de terror feita nos anos 60/70: O Bebê de Rosemary, O outro, As possuídas do diabo, A sentinela, As possuídas (sim, alguns títulos em português são péssimos)
e, embora O inquilino estivesse na lista há anos, nunca o havia lido. Apesar de não ser uma história sobrenatural, acho que a tensão criada me lembra estes outros livros.
Trelkovsky é um solitário e modesto trabalhador de origem polonesa que, em vias de ser despejado, precisa encontrar outro lugar para morar. Por indicação de um amigo, ele chega a um apartamento de dois cômodos (sem banheiro ou cozinha) e fica muito interessado, mas há um empecilho: a inquilina, Simone, está no hospital entre a vida e a morte por ter se atirado da janela do apartamento. Ele decide, então, visitá-la para se certificar de seu estado. Lá ele conhece uma amiga dela e, constrangido em dizer que estava lá por causa do apartamento, ele finge ser um conhecido. Simone morre e Trelkovsky se muda para a casa que era dela (onde ficaram seus móveis e alguns objetos pessoais) e a partir daí fica obcecado pela história da antiga inquilina. Instável emocionalmente, totalmente inseguro, Trelkovsky começa a achar que há um complô contra ele arquitetado por seus vizinhos.
É o tipo de leitura que eu amo, em que as coisas vão ficando cada vez mais tensas e perturbadoras e não sabemos bem o que está acontecendo. Como a narrativa, apesar de ser em terceira pessoa, é totalmente focada na visão de Trelkovsky, temos que ser críticos em relação às suas desconfianças e às afirmações que ele faz.
Eu estava achando que tinha entendido tudo e aí veio a cena final e fez BUM!, mas depois assisti a uma análise extremamente detalhada do Claudio Bersot, do canal Caminhos do imaginário, no YouTube, e ela enriqueceu demais minha experiência de leitura. Recomendo fortemente. São quatro vídeos intitulados O inquilino, livro e filme: I parte (e assim sucessivamente).
Enfim, adorei. Se alguém tiver sugestões de livros de terror psicológico das décadas de 60/70, além dos citados, aceito! Agora vou atrás do filme.