História da organização do trabalho e trabalho e do currículo no século XX - Ensino primário e secundário no Brasil

    Rosa Fátima de Souza

    Cortez Editora
    2008
    319 páginas
    10h 38m
    ISBN-13: 9788524914164
    Português Brasileiro
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    Tainã Teixeira picture
    Tainã Teixeira14/05/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Quem Ensina? O Que Ensina? Para Quem?

    Para quem se interessa pela história da educação no Brasil, esse livro é essencial. É como um manual que ajuda a entender, de forma clara e acessível, como a escola brasileira foi se moldando ao longo do século XX. A autora nos ajuda a lembrar que o espaço escolar nem sempre foi como conhecemos hoje, nos convidando a desnaturalizar esse ambiente e a perceber que ele é, antes de tudo, uma construção histórica e cultural. O livro está dividido em três partes: escola primária, secundária e básica. A pesquisa é bem fundamentada, com base em documentos oficiais, legislações, periódicos, imagens e outras fontes. Apesar de o recorte geográfico se concentrar no estado de São Paulo, o livro também faz uma análise um pouco mais ampla do cenário nacional, no que se refere ao ensino secundário. Um dos principais méritos do livro é mostrar como o currículo escolar e a organização do trabalho docente mudaram com o passar dos anos. Além, de analisar quais ideias de "homem ideal" e de "cultura" estavam por trás dessas escolhas, expondo que o currículo é uma construção social e política. Outro ponto interessante é quando a autora analisa o papel das disciplinas curriculares. Ela mostra que a escolha do que permanece ou sai do currículo não é neutra, pois está relacionada à disputa de poder, interesses políticos e culturais. O exemplo do latim no currículo secundário ilustra bem isso. A presença (ou ausência) de certos conteúdos ajudava a definir quem teria acesso ao saber "nobre" e quem ficaria com o mínimo necessário. O livro é bem explicativo e acessível para quem quer entender o funcionamento histórico da escola brasileira. É uma leitura que permite ir além do senso comum e compreender as contradições e disputas que marcaram (e ainda marcam) o nosso sistema de ensino. Como a própria autora sugere, é preciso estar atento às distâncias entre o que está nos documentos oficiais e o que realmente acontece nas práticas escolares do dia a dia. A escola não é apenas um espaço de aprendizagem, mas também um lugar onde se reproduzem valores, desigualdades e disputas históricas que merecem ser questionadas.

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