Duzinda -

    Clotilde Chaparro Rocha

    THESAURUS EDITORA
    2002
    108 páginas
    3h 36m
    ISBN-10: 8570623755
    Português Brasileiro

    "Duzinda" é um romance de ficção. Acontece nas décadas de 30 e 40, num bairro classe média da cidade de São Paulo. O esqueleto do drama se passou realmente, mas o "recheio" é imaginário. Para criar, a autora baseou-se em casos que escutou durante sua vida. Poderia se passar em qualquer estado do Brasil, quiçá do mundo. Aliás estão acontecendo hoje fatos semelhantes, tanto em bairros de luxo como na periferia pobre. Trata-se de uma história que aborda os "pequenos" maus-tratos e abusos que sofre a mulher comum, no seu cotidiano. Isso vai lhe tirando a dignidade. A intenção é que a mulher, ao ler este livro, perceba, de maneira sutil, como também a sua vida pode estar sendo atingida. Muitas talvez não consigam fazer nada, porém, como dizem os psicólogos, ter consciência do problema, já é um passo muito importante. Há também uma personagem, a Iolanda, que é uma mulher forte e lutadora. Na comparação das duas é que a autora tenta passar a mensagem positiva. Foi escolhida a saga dessa jovem, a Duzinda, pois apesar da mesma ter vivido a tanto tempo atrás, as pessoas que conviveram com ela, ainda se lembram muito de tudo. Dela e da Iolanda, a outra personagem. Também porque, a todas as mulheres que ela passa esta história – sobre os aludidos abusos e maus-tratos – se comovem muito. Mesmo aquelas que aparentemente nada têm a ver, desde a mais intelectualizada até aquela de poucas letras. Dizem se lembrar de uma parente, de uma vizinha...

    Resenhas (1)Ver mais
    Samara Oliveira picture
    Samara Oliveira21/07/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Realista, porém com uma reflexão nada a ver no final

    É um livro que veio pra mim no momento certo, quando estava na escrita do meu próprio livro. As histórias são emocionante lá e levam a gente a pensar sobre os fatores que circundam a violência contra a mulher: violência intra familiar, institucional, racial e tantas outras questões. É um livro pesado, com pessoas reais. Achei a abordagem boa e condizente com a época em que o livro de passa (1920, são Paulo). Considerando que é um livro de 2004 +/-, eu acho interessante essa abordagem para a época em que foi escrito: onde a conversa sobre o direito das mulheres e violência como conhecemos hoje ainda era emergente. Justamente por isso, acredito que ao final a aurora faz uma consideração um pouco infeliz sobre a violência contra a mulher. Sem querer ser anacrônica, até porque não posso cobrar que alguém de 20 anos atrás escreva com a mesma capacidade de letramento de gênero de hoje em dia. Acontece, porém, que essa indagação da autora ao final acaba quebrando um pouco a proposta do livro. Ela questiona: duas mulheres que sofreram violência, mas uma se deixou abater e outra não, por que? E discorre sobre isso. Ao discorrer sobre o assunto, ela meio que joga a culpa da violência na própria mulher que a sofre e como duzinda, não consegue reagir. O ponto é que a própria história responde à essa indagação. Então acredito que independente de qualquer anacronismo, aqui houve um furo na escrita. Ademais, é como disse: para os padrões da época, é bem disruptivo. E me ajudou para o que precisava.

    1 curtida

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