Conversa n'A Catedral -

    Mario Vargas Llosa

    D. Quixote
    2009
    632 páginas
    21h 4m
    ISBN-13: 9789722038942
    Português Brasileiro

    Sentados a uma mesa da taberna A Catedral, o jornalista Santiago Zavala conversa com o seu amigo Ambrosio. Estamos em Lima, na época ditatorial do general Manuel A. Odría (1948-1956), e dessa conversa acompanhada de cerveja emerge um Peru cruel, corrupto, desesperançado, matéria-prima ideal, portanto, para um romance que só um grande jornalista e escritor como Vargas Llosa poderia ter produzido. Uma história esplêndida que reúne muitos dos ingredientes que fizeram a fama do autor peruano - as críticas ácidas, a irreverência, a rebeldia e o humor sarcástico. Conversa n’A Catedral é a crónica de uma ditadura e da resistência possível graças à palavra. Uma aguda reflexão sobre a identidade latino-americana e sobre a perda da liberdade. Um romance que, mais do que um marco na carreira literária do autor, é um ponto de referência inevitável na história da literatura universal.

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    Alexandre Figueiredo13/06/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    As conversas de Vargas Llosa

    Demorei alguns dias para decidir se iria falar a respeito do genial "Conversa no Catedral", romance publicado em 1969 pelo peruano Mario Vargas Llosa. E sim, tomei coragem. Vamos lá. Percebam o seguinte: Vargas Llosa está interessado em desafiar os leitores. E não, o livro não é complicado, apesar de sua conhecida extensão. Além disso, o preparo e a força necessários ao autor para executá-lo são inimagináveis. A questão é que se faz aqui uma espécie de contrato com os leitores. A mágica colocada neste romance não poderia ser reproduzida de outra maneira que não a literária. Somos apresentados a duas personagens centrais, mas mais do que isso, iniciais: Santiago Zavala e Ambrosio. Enquanto a base da história acontece durante a conversa no Catedral, uma espécie de botequim, os leitores são convidados a desafiar o próprio conhecimento sobre o espaço e o tempo literário. O que acontece logo em seguida, quando percebemos que estamos fora do bar, é definidor para que aceitemos ou não entrar nessa viagem literária. A narrativa, como muito bem classificou o professor Sergius Gonzaga em seu doutorado, é ziguezagueante. Somos transportados através dos diálogos aos pontos de vista de inúmeras personagens - em quantidade extravagante, eu diria - ao período da ditadura peruana do general Odría. Mas não é só isso. O romance é um espelho da sociedade peruana da época analisada, desde o déspota que comandou o país até simples cidadãos, como um motorista de carro ou uma doméstica. Todos ganham voz aqui. Todos contam uma história que precisa ser conhecida. Mas Llosa faz mais do que isso: ele mostra como todas elas estão interligadas. É por isso que volto ao título. Entendam: a "conversa", meus amigos, não vai acontecer somente no Catedral, ela vai acontecer entre os leitores e o autor, entre a imaginação e a realidade, entre o poético e o prosaico. Leitura mais que recomendada.

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