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    As Naus -

    António Lobo Antunes

    Dom Quixote
    2002
    198 páginas
    6h 36m
    ISBN-13: 9789722031080
    Português
    3.4
    64 avaliações
    Leram144Lendo29Querem131Relendo2Abandonos8Resenhas5
    Favoritos1Desejados131Avaliaram64

    Os Descobrimentos como se fossem vistos do avesso, mostram a decadência de Portugal em todo o seu esplendor. Navegadores, reis, escritores, colonos, regressam à pátria: Pedro Álvares Cabral procura emprego e vive num quarto nojento de uma pensão com outras famílias de Angola, Gil Vicente é ourives, Vasco da Gama passeia no Guincho com o rei D. Manuel. D. Sebastião é esperado por um grupo de indigentes. Mesmo antes disso, A Portuguesa é executado em ritmo de pasodoble.

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    Resenhas (5)Ver mais
    Silvia R. Andrade picture
    Silvia R. Andrade24/10/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O livro As Naus, de António Lobo Antunes, publicado em 1988, narra a história de regresso à pátria, no caso, Portugal. Nessa narrativa há dois posicionamentos: a pátria do tempo dos descobrimentos e a pátria contemporânea. O autor busca no passado explicações para a condição atual de seu país. Sobre esse prisma, a narrativa vai tecendo-se através de um narrador que não é fixo, às vezes está em primeira pessoa e em outras na terceira pessoa. O tempo narrativo é uma mistura entre o passado e presente; ao mesmo tempo em que há uma descrição de imagens do passado há, como contraponto, uma descrição de Portugal em nossos tempos. De forma muito original, o autor utiliza, como personagens, personalidades importantes na história de Portugal como Pedro Álvares Cabral, Luis de Camões, D. Sebastião entre outros. Dessa forma, Lobo Antunes faz um resgate do passado dito "glorioso" e o compara com o resultado atual: uma pátria que vive de histórias pretéritas e que está estagnada em um tempo que não volta mais. Isso se atribui àquilo que José Mattoso escreve em A Identidade Nacional: A transposição da história para a epopeia deu-lhe, porém, a força do mito, não só para a gente pouco instruída, mas também para muitos dos autores mais cultos do século XIX, que continuaram a imaginar a gesta dos Descobrimentos a partir de Os Lusíadas. A sobreposição da História e do mito agravou o sentimento da decadência nacional... A população portuguesa, vivendo desse passado, é chamada à realidade em As Naus. Esse processo de decadência nacional é representado no livro através da parodização. Lobo Antunes sugere a queda dos mitos, tornando-os seres humanos comuns, sem nenhum vestígio de glória. O autor faz esse jogo como forma de reinterpretar o passado, criticar tantas "glórias" e chegar ao resultado de tudo isso: um novo processo de conscientização nacional. A colonização portuguesa em África, pois, é condição primordial em As Naus. Lobo Antunes escreve relatos dos primórdios da História Portuguesa e chega até a pós-revolução dos Cravos, quando se inicia o processo de descolonização. Portugal ainda mantinha, nessa época, a política colonialista representada por Salazar, última resistência aos movimentos liberais africanos. Quando termina a ditadura salazarista, ocorre o processo de descolonização, gerando ao povo colonizado uma satisfação inigualável de independência, mas ao povo que o colonizou, acaba por obrigar a rever o seu significado de nação. Toda essa representação crítica e, digamos, histórica de As Naus é feita através de uma linguagem "caótica", de um discurso delirante que acaba por se tornar uma grande alegoria. Questionamentos importantes como: quem fomos? quem somos? o que queremos? são abordados nas entrelinhas de As Naus. A necessidade desse olhar autocrítico para um redescobrimento de si mesmo .

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 64
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas30%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas5%
    António Lobo Antunes profile picture

    António Lobo Antunes

    António Lobo Antunes nasceu em 1942, em Lisboa, na zona de Benfica, onde cresceu. É o mais velho de seis irmãos. Licenciou-se na Faculdade de Medicina, em Lisboa, carreira que afirmou ter seguido por acaso. Já aos 13 anos queria ser escritor. Especializou-se em psiquiatria por nela achar semelhanças com a literatura. Parte de sua experiência clínica foi praticada em Angola, durante a Guerra Colonial, depois do que retornou a Portugal. No que concerne à política, apenas uma vez foi militante da APU (1980). No entanto, em relação à questão do poder, manteve-se um pouco distanciado, talvez por formação, herança do pai, anarquista. Foi sensivelmente a partir de 1985 que Lobo Antunes passou a se dedicar quase exclusivamente ao ofício da escrita. Os temas abordados em suas primeiras obras são a Guerra Colonial, a morte, a solidão, a frustração de viver/não amar. Tem três filhas: uma de 27, outra de 25 e outra de 15. Embora dedique a vida à escrita, costuma ir muitas vezes ao hospital. Sobre a escrita, Lobo Antunes diz: "Eu escrevo livros para corrigir os anteriores. E ainda tenho muito para corrigir". A sociedade urbana da média burguesia é a mais retratada em seus livros, uma vez que esta sociedade caracterizou o seu ambiente familiar. Deste modo, o autor tem necessidade de partir de uma base real para a criação de suas obras. Segundo o autor, suas principais influências foram os cinemas norte-americano e italiano, os andamentos da música e também alguns escritores que o encantaram na adolescência, como Céline, Hemingway, Sartre, Camus, Malraux, Júlio Verne e Emilio Salgari, acrescidos mais tarde com a descoberta primeiro de Simenon e, depois, dos russos Tolstoi e Tchekov.

    47 Livros
    78 Seguidores

    António Lobo Antunes