Quando eu li a biografia do Stephen King, escrita por Lisa Rogak, há um momento em que a autora fala um pouco sobre a vida dos filhos do King, e as diferenças sobre os hábitos de escrita dos filhos referente ao pai. E nesse momento, quando ela menciona o filho mais novo, Owen, ela fala sobre o seu casamento com a também escritora Kelly Braffet, e descreve rapidamente o plot de dois dos livros da autora, “Josie e Jack”, que foi adaptado para uma versão cinematográfica, e “Last Seen Leaving”.
Ambas as histórias me chamaram bastante atenção, por ter como enredo conflitos familiares, porém, acabei conseguindo acesso para leitura apenas de um outro livro da autora, “Save Yourself”, que é o livro do qual falarei nessa resenha.
Antes de me aprofundar sobre o livro, gostaria de mencionar rapidamente sobre o filme “Josie e Jack”, que acabei assistindo nesse período em que lia “Safe Yourself”.
Para quem gosta de um romance gótico, esse filme é sem dúvida uma excelente pedida, com sua carga emocional densa, dramática e com um final bem trágico. Uma outra coisa que me encantou bastante, é que como surge o assunto do tabu pela relação muito próxima dos irmãos (Josie e Jack), surge a menção a um a outro romance gótico que explorou profundamente esse assunto, chamado “Flowers in the Attic” (em português traduzido para “O Jardim dos Esquecidos”) da autora V.C. Andrews. Como sou grande fã de V.C. Andrews, e já assisti a várias outras adaptações em filme dos seus livros, esse ponto me conquistou bastante.
Voltando a trama de “Save Yourself”, preciso dizer que essa é uma história bem intensa, e apesar de ter seus protagonistas na fase da adolescência, a trama traz assuntos bastante complexos, como bullying, violência física, problemas psicológicos, autoflagelação, sexo, problemas familiares, além de drogas e uso de armas de fogo. Ou seja, é um conteúdo bastante denso, com uma carga emocional forte.
A história gira em torno de cinco personagens: Patrick e seu irmão mais velho Mike, Cairo, a namorada de Mike, além de Layla e a sua irmã mais nova, Verna. A cada capítulo, a autora foca em um dos personagens, trazendo à tona sua personalidade e suas emoções ao que vai acontecendo com cada um deles durante a história. Essas histórias vão se entrelaçando, e deixando o enredo ainda mais rico, aumentando o suspense de como tudo isso irá terminar.
Como menciono anteriormente, o conteúdo emocional da história é bastante intenso, até porque esses personagens possuem uma coisa em comum: todos estão sofrendo por algum problema que acontece em suas vidas. E a autora é muito talentosa na hora de relatar esses sofrimentos, do mais simples ao mais complexo, enredando o leitor e o fazendo sentir o que esses personagens estão passando, mesmo que você nunca tenha vivido algo parecido em sua vida. E quer algo mais mágico do que uma autora que consegue despertar a nossa empatia para com os personagens?
Não quero entrar demais na história, mas existem alguns pontos importantes que eu gostaria de ressaltar. Quando eu escolho para legenda dessa resenha o ditado “A miséria adora companhia”, é porque, como falei acima, essa é uma história de pessoas que estão em algum tipo de sofrimento, e quando se unem, nem sempre essa será uma boa mistura. Aliás, muitas vezes ela pode ser até bastante explosiva.
Nessa história, algo que mexeu bastante foi ver o sofrimento dos filhos frente aos pais. Alguns, filhos de pais com problemas com o álcool, outros com mãe que sofre de problemas mentais, e ainda há aqueles com pais “normais”, casados e com boa situação financeira, mas que por conta de uma crença religiosa vivida com muito fanatismo, acabam criando um ambiente familiar em que seus filhos não se sentem seguros para se abrir em relação às dificuldades e conflitos que estão vivendo.
E quão perturbadora essa ausência da base familiar pode ser na vida desses filhos, que para se sentirem aceitos e compreendidos, acabam procurando por pessoas que sofrem tanto quanto eles. Porém, é importante lembrar que nem todos passam pelas dores da vida da mesma forma, e alguns, frente a raiva e o rancor pelo amor da família que lhe foi negligenciado, podem acabar manifestando comportamentos estranhos, violentos e bastante nocivos, para si mesmo e também para com os outros.
E esse é o ponto dessa história da nora de Stephen King: o quanto pessoas destruídas podem ser ainda mais destruidoras. E ao final, as consequências trágicas serão inevitáveis.
“Save Yourself” é uma história que merece ser lida, mas com as devidas advertências ao seu conteúdo, pois não se trata de um romance adolescente simplesmente. É uma história sobre toda a dor que um ser humano pode infringir ao outro tanto física, quanto psicologicamente.
E se você se interessou pela história, preciso fazer apenas mais uma advertência: esse livro não foi traduzido para o português. Sendo assim, se ler em inglês não for uma barreira para você, então vai em frente, e boa leitura!