Eu já tinha tido a experiência com a leitura do livro sobre as canções de Tom Jobim. Muitas de suas letras me causavam muita curiosidade para saber o contexto em que foram escritas (a principal delas era “Lígia”, já que minha irmã tem esse nome por causa da música. Porém, infelizmente o livro não matou minha curiosidade kkkk).
Tanto com Tom Jobim quanto com Vinicius de Moraes, percebi que mesmo com a alma de poeta, não era incomum que várias músicas simplesmente tenham sido “encomendadas” para um projeto específico. Na primeira experiência, isso me frustou um pouco (confesso 😂).
No entanto, agora já vi de forma diferente. Vinicius de Moraes vivia movido pela paixão. Essa, até, que o cegou muitas vezes e o levou a seguir caminhos um tanto quanto duvidosos (me utilizando bastante do eufemismo).
Mas, essa paixão que fazia com que ele colocasse tudo de si e de forma muito verdadeira, em uma letra, mesmo que fruto de uma “encomenda”.
A ideia de Tom e Vinicius bebendo, olhando pela janela e transformando o sentimento daquele momento em um música linda e eterna é perfeita (inclusive, aconteceu!). Mas, a ideia de que com a necessidade de se criar uma letra para um fim específico, o poeta teria que provocar seu sentimento e conseguir transformar em beleza da mesma forma também é.
O livro traz as letras das canções e vai “passeando” pela vida de Vinicius de Moraes, o que torna irresistível não fazer a leitura acompanhada do Spotify do lado.
Um adendo bem particular, é que Vinicius é o meu poeta preferido. Parte do Soneto do gato morto diz assim: “Um gato vivo é qualquer coisa linda. Nada existe com mais serenidade”. E, como amo gatos e todos os dias, saindo da minha casa no Flamengo e indo para a faculdade, para Emerj, trabalhar etc. seguia pela Praia do Flamengo, vendo no Aterro todos aqueles gatos, existindo exatamente como ele escreveu, tatuei em mim: “Nada existe com mais serenidade”. E, no caos do dia a dia, por anos (e até hoje), mesmo nos dias mais turbulentos, olho ou penso naqueles gatinhos e naquela paisagem, penso no que eu escrevi em mim e no que representa na minha vida. Então, sinto uma paz enorme.
Eu gostei muito desse livro! Pretendo ler o de Chico Buarque.