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    O Guia do Viajante do Caminho de Santiago - Uma vida em 30 dias

    Daniel Agrela

    Editora Évora
    2013
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788563993557
    Português Brasileiro
    4.2
    42 avaliações
    Leram74Lendo9Querem156Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos8Desejados156Avaliaram42

    Fazer o Caminho de Santiago é realizar um projeto de vida. Ao longo de mais de doze séculos, inúmeros viajantes de diversos países e culturas deixam suas casas a fim de percorrer a pé um trajeto de oitocentos quilômetros pelo norte da Espanha. Mas qual a motivação por trás de todo esse esforço? Muitas! Mas o que a maioria dos viajantes procura mesmo é o autoconhecimento, a fim de se tornar pessoas melhores. Eles querem liberar-se de pesos, sofrimentos, angústias e estresses, assim como buscam refletir muito, para, a partir disso, enxergar a vida de uma maneira diferente.Isso faz o Caminho de Santiago ser um divisor de águas na vida do viajante. Neste guia, você encontrará muitas dicas, mapas topográficos de todas as etapas, orientações sobre em que época ir, o que levar, onde comer, assim como encontrará histórias do caminho e tudo o que é preciso saber para tornar seu sonho de fazer a rota de Compostela uma realidade.

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    Léo Otaciano picture
    Léo Otaciano06/06/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Livro maravilhoso e muito informativo

    Há livros e livros que contam histórias aventureiras feitas por seus autores durante suas jornadas, com narrativas que detalham venturas e desventuras diante das situações encontradas pelo caminho. Mensagens como resolução, ânimo e muita autoestima fazem parte dos conteúdos instrutivos de exemplares assim. Em mais uma excelente publicação da Editora Évora, é possível encontrar alguns motivos que vão além de todas essas questões e achar, em torno de muita reflexão, respostas jamais vistas e obtidas antes. O livro O Guia do Viajante do Caminho de Santiago, escrito pelo jornalista e viajante profissional Daniel Agrela, transforma-se em um grande preceptor de soluções para o espírito do leitor e não somente cumpre o seu objetivo de informá-los sobre os gáudios, contratempos e imprevisíveis ocorrências — servindo mesmo como um bom guia para os futuros peregrinos que pretendem seguir os mesmos passos de Agrela — nos trinta dias percorridos na peregrinação do Caminho de Santiago (lugar que guarda valores religiosos históricos e serve como campo de reflexão para o peregrino) mas que também exerce um papel muito importante de grande semeador de respostas para a vida. Como diz o jornalista de maneira insistente; "Para fazer o Caminho, não é preciso ter um motivo, pois o Caminho não pede justificativas para ser realizado. Basta caminhar. Sempre". O encontro com a paz interior é, sem dúvida, um dos mais importantes efeitos alcançado no Caminho. A ação de partida do peregrino em direção ao Caminho de Santiago ultrapassa a simples idealização de uma aventura casual de férias e, como dito por Agrela em partes de suas notas, o ideal mesmo é que o peregrino faça essa jornada sozinho para que todos os problemas que se tem em um dia conturbado da cidade grande fiquem para trás, assim como a própria família ou amigos, que possivelmente ocasionam a falta de atenção e meditação durante a caminhada. A viagem é realmente introspectiva embora o jornalista tenha se deparado com casais e pessoas acompanhadas no Caminho. As orientações e narrativa descomplicada de Agrela, deixam o livro com aquela cara de matéria especial de telejornal ou mesmo de informativo para todas as idades encontrados em revistas. Todo o passo a passo é dado de forma clara e não deixa que as dúvidas fiquem pelo caminho. O Guia do Viajante do Caminho de Santiago é um exemplar muito gostoso de se ler, escrito por alguém muito especial. Não apenas conhecemos um viajante profissional, um jornalista e autor, mas também um grande indivíduo humanista que fez questão de compartilhar suas descobertas com tantas outras pessoas. O resgate de valores individuais e sociais vão se aclarando pela longa jornada de trinta e dois dias no Caminho de Santiago. A igualdade entre os viajantes se torna notável, independente de profissão e classe social cujo exercem e pertencem, assim como a amizade e companheirismo se acentuam a cada encontro com novos peregrinos. É como se classes sociais não existissem lá e a solidariedade fosse o ponto fundamental e natural identificado nas pessoas. A vontade de ajudar uns aos outros foi não somente presenciada como sentida por Daniel Agrela muitas vezes e em variadas situações. Para entender melhor o que é o Caminho de Santiago e onde exatamente fica localizado, de forma compreensiva, basta a seguinte informação: os Caminhos de Santiago são os percursos percorridos pelos peregrinos que afluem a Santiago de Compostela desde o século IX para, inicialmente, reverenciar as relíquias do apóstolo Santiago Maior, cujo suposto sepulcro se encontra na catedral de Santiago de Compostela. Daniel Agrela afirma que ao concluir o Caminho, esse objetivo primeiro, entendido pelos antepassados, torna-se pequeno diante de tantos ensinamentos conquistados na peregrinação eremítica. Na verdade, como já discursado, os objetivos hoje em dia são variados e é impossível não esquecê-los realmente após a passagem dos primeiros dias, quando o peregrino começa a se questionar sobre o verdadeiro motivo que o levou até ali. "Senti-me livre dos muitos pesos que me levaram ao Caminho, os quais fui abandonando ao longo de cada dia. Aproximei-me de Deus", relata o autor. Os ganhos espirituais e culturais com a jornada se tornam valiosíssimos para os peregrinos. O Caminho passa por vários países e cidades da Europa, como Portugal e França, e se afluem na Espanha. O peregrino que faz o Caminho, alcança um aprendizado enorme e sem preço sobre a vida e sobre si mesmo, e conquista uma liberdade que se mostra de forma diferente da que muitos imaginam. O desapego das coisas materiais faz com que aquele que por lá caminha, sinta-se muito mais forte quando percebe que é possível sobreviver sem depender de tais recursos tecnológicos. Agrela afirma que é preciso tornar-se off-line para que a transformação exterior — condutas, objetivos e metas — se inicie pelo interior. O abraço ao mundo da tecnologia e a dependência de seus recursos anula totalmente a capacidade de o indivíduo se reconstruir como pessoa e resgatar seus valores mais vitais. A experiência meditativa do autoconhecimento e o encontro do indivíduo com a sua essência, com o seu próprio eu guardado e, tantas vezes conflitado no dia a dia, são resultados gratificantes para o peregrino. O Guia do Viajante do Caminho de Santiago se torna uma autoajuda cheio de chamadas para o próprio comportamento e entendimento, com reflexões importantíssimas sobre ser humano e vida. O Caminho de Santiago é, na verdade, uma grande chave capaz de abrir o baú de respostas jamais vistas e obtidas antes. Para cada peregrino com sonhos, medos e dúvidas, um confronto singular é iniciado com a peregrinação, citada por muitos como a grande descoberta, como entendido no trecho: "Outra peregrina, esta de origem francesa, perto de completar 60 anos, muito emocionada e com lágrimas, me disse: "Estou em busca de mim mesma."". Indiretamente, Agrela nos convence de que a busca pelo conhecimento não está ligada a idade, nacionalidade ou mesmo potência aquisitiva; um exemplo disso é observar o comportamento do leitor de O Guia do Viajante, que mesmo sem sair do lugar, de posse de todo o conteúdo educativo, sente-se parte da grande peregrinação a Caminho de Santiago. Com as proporções interativas encontradas no belo exemplar editado pela Editora Évora — como fotografias coloridas e preto e branco registradas com perfeição por Memo Vásquez —, o leitor é facilitado a sentir o espírito do Caminho, que segundo o jornalista deve ser encarado como um projeto de vida. É certo de que a fadiga física e mental sejam os maiores empecilhos dos peregrinos mas até esses problemas devem ser combatidos para se obter o sucesso. "Com o silêncio do caminho aprendemos a ouvir outras vozes: A natureza, às vezes suave e outras vezes potente; A palavra de um peregrino que acabamos de conhecer e que, no minuto seguinte, se torna um irmão; Os sons das pedras que pisamos e que nos perdoam; O canto dos ventos e das estrelas... A voz do universo e, claro, a nossa própria voz, que, por vezes, nos esquecemos de ouvir". Para finalizar o artigo, vale lembrar que os trinta e dois dias de peregrinação do jornalista são marcados por acontecimentos marcantes e inusitados, e Agrela dá detalhes importantes de como agir, o que procurar e o que encontrar no percurso por cidades históricas e cheias de vida e características ímpares como Saint Jean Pied Port, Roncesvalles, Zubiri, Pamplova, Los Arcos, San Juan Ortega, Artoga, Monte do Gozo e Santiago de Compostela. O caminho transforma a todos e é impossível retornar para casa da mesma maneira que se chegou ali. Todas as reflexões feitas no silêncio do Caminho, passam a servir como o grande fator motivador para a continuação e transformação. Quem chega pesado, retorna leve; aquele que chega triste, volta contente; o peregrino que se sente vazio, retorna para casa tendo encontrado em sua própria essência o conjunto de valores verdadeiros que o preenche. Os sinais estão pelo caminho o tempo todo e assim como na vida, cabe ao peregrino encontrá-los e segui-los. "O Caminho de Santiago não é turismo. Essa é uma viagem para se encontrar, refletir sobre tudo o que viveu, traçar novos planos e, é claro, liberar-se de pesos". O grande aprendizado é: o ser humano é o conjunto mais complexo do Universo. Conjunto de aspectos e essências que excedem o fundamental.

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    Daniel Agrela

    Daniel Agrela é viajante profissional. Formado em jornalismo, iniciou sua vida de mochileiro em 2002. Apaixonado por viajar e escrever, usa o faro de repórter para descobrir novas culturas pelo mundo e as retrata em seus textos. De todos os destinos já explorados por ele, o mais marcante e revelador foi a rota de Compostela, motivo pelo qual O Guia do Viajante do Caminho de Santiago - uma vida em 30 dias é seu livro de estreia. Percorreu o Caminho de Santiago (Caminho Francês) duas vezes: a primeira em 2007 e a segunda em 2011. É autor do blog Brasileiros no Caminho.

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