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    Amrik -

    Ana Miranda

    Cia. das Letras
    1997
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-10: 8535918361
    Português Brasileiro
    3
    228 avaliações
    Leram423Lendo13Querem116Relendo1Abandonos34Resenhas11
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    Tecido com antigos poemas árabes, imagens das Mil e uma noites, receitas de cozinha, parábolas, crenças religiosas, é um romance sobre a imigração libanesa para a América, que reflete acerca do amor e do trabalho. No final do século XIX, muitos cristãos libaneses pobres emigraram para a América - Amrik, em libanês. Mas nada era simples. "Os libaneses saíam do Líbano, pensavam que estavam indo para a América do Norte [...] e desembarcavam na América do Sul. Quando iam reclamar que estavam na América errada, o estafeta dizia: 'Tudo é América!' " A São Paulo do final do século passado retratada pelos olhos de uma dessas imigrantes - a bela Amina, dançarina "dona de um narizinho de serpent of the Nile" -, na prosa de uma de nossas mais talentosas escritoras.

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    Julia G Ferreira - Blog Conjunto da Obra picture
    Julia G Ferreira - Blog Conjunto da Obra01/08/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Amrik - Ana Miranda

    Resenha postada originalmente no blog http://conjuntodaobra.blogspot.com Amrik - América para os Libaneses - é narrado por Amina, que conta as dificuldades que teve, como imigrante, ao chegar no Brasil ao final do século XIX. "Eu pensava que o Brasil era um lugar de abismos e depósito de imigrantes cachorros mortos que não conseguiam entrar na outra América, Brasil era um lugar de fracos, mercadores persas chineses tomadores de ópio negros africanos com cigarros saindo fumaça na orelha, insetos e charcos e enchentes e uma cruz no céu para mim queria dizer morte, crucificação de Jesus e o nosso sofrimento ia ser ali debaixo da cruz como Jesus sofreu na cruz, no Brasil havia padre demais e religião cada uma tão tola que nem brigavam por elas, pobreza, gente deitada nas ruas, jumentos zurrando na sombra das árvores [...]" A história começa no Jardim da Luz, em São Paulo, quando Naim, tio da dançarina Amina, pergunta se ela aceita se casar com o mascate Abraão. E essa pergunta a faz se lembrar de toda a sua vida, desde a infância na aldeia do Líbano, com seu pai e seus irmãos, sua avó Farida que tanto amor lhe deu e que foi como uma mãe, já que a sua fugiu quando ainda era menina. Amina se lembra de como o pai não gostava dela, a única filha mulher, pois para ele mulheres só existiam para fazer os homens sofrerem. Lembra-se de quando tio Naim pediu para que algum dos filhos fosse para a América com ele, e o pai a mandou embarcar no navio, deixando tudo o que conhecia para trás. E é entre todas essas, e também outras lembranças, que Amina vai nos contando sua história. Achei a linguagem utilizada no livro bastante difícil, já que a autora tenta passar a idéia de que aquilo que está escrito é o que se passa na cabeça de Amina, seus pensamentos, e isso resulta em um texto desconexo, sem pontuação e que mistura diversas idéias em uma mesma "frase", além dos vários vocábulos árabes e expressões como "halalakala" inseridos entre palavras em português. O quote que coloquei acima já mostra um pouco como o texto está estruturado. É claro que essa "bagunça" foi elaborada para desempenhar uma determinada função, e observei que esta se assemelha à do livro Macunaíma (quem já leu ou tentou ler entenderá bem o que quero dizer), exceto pelo lado fantástico exorbitante deste último. Coloquei a palavra "frase" entre aspas porque cada capítulo é constituído de apenas um bloco, sem separações entre frases. O que facilita, neste caso, é que cada página representa um capítulo. Assim que me acostumei com a forma escrita da obra, a leitura se tornou bem agradável, pois foi possível observar um pouco mais sobre a organização social do Brasil com a chegada dos imigrantes, o legado e a cultura de outros imigrantes que não alemães e italianos. Outro detalhe interessante, é que, até ler o livro, acreditava que os turcos e libaneses eram islamitas, mas me enganei terrivelmente. É claro que existem turcos e libaneses islamitas, mas há também cristãos, e Amina era cristã. Durante a passagem do tempo, na história, percebe-se a mudança no perfil de Amina, de menina para mulher, a malícia que passa a assomá-la, as paixões que tomam seu coração, a alteração de seus objetos de desejo e suas tristezas. E, o que mais gostei, foi da inteligência ignorante de Amina, a criatividade que ela possuía, e as piadinhas de turco que me divertiram muito. Não recomendaria essa leitura para quem quer apenas lazer, pois é um texto sem grandes atrativos e que pode se tornar cansativo para aqueles que não estão preparados para uma história mais monótona. Mas para aqueles que querem conhecer um pouco mais das histórias que complementam nosso país, com certeza vale a pena.

    5 curtidas

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    • 1 estrelas14%
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    Ana Maria Nóbrega Miranda

    Escritora e atriz brasileira, estreou na poesia com <i>Anjos e demônios</i>, em 1978, e como romancista em 1989, com <i>Boca do Inferno</i>, que ganhou seu primeiro (de três) prêmio Jabuti, considerado pelo O Globo um dos romances mais importantes do século.

    35 Livros
    114 Seguidores
    Ceará, Brasil

    Ana Maria Nóbrega Miranda