Expõe os principais mecanismos que garantiram a manutenção da atividade extrativista, em face de um modelo de desenvolvimento capitalista que privilegiava outras atividades concorrentes, e, até certo ponto, destrutivas das suas condições de reprodução. A pesquisa também mantém sua importância por ser o primeiro estudo de caráter científico a retratar minuciosamente a economia extrativista do Amapá.
Extrativismo e Capitalismo na Amazônia - A manutenção, o funcionamento e a reprodução da economia extrativista do sul do Amapá
Antônio Sérgio Monteiro Filocreão
O livro resulta de uma dissertação de mestrado, apresentada em 1992 na Universidade Federal da Paraíba, com os resultados da pesquisa de Filocreão sobre a produção extrativista na região sul do Amapá. O estado era recém-criado, buscava delineamento de desenvolvimento, a região abordada é caracterizada pela potencialidade de recursos naturais, historicamente baseada na economia extrativista e em choque com os interesses capitalistas que buscavam formas mais lucrativas e desapegadas da proteção aos recursos florestais e povos da floresta. O início dos anos 90 marca também a discussão das questões ambientais, buscando-se uma abordagem sustentável de valorização dos fatores humanos e naturais (pontos ressaltados na ECO-92). É com premissas assim que essa obra se insere nesse contexto, como o primeiro estudo científico da economia extrativista no Sul do Amapá. Sobre a importância, o autor ressalta que a produção de castanha, principal produto, corresponde a 80% da extração amapaense e 15% da nacional. O livro está dividido em 3 partes: - A primeira faz a contextualização histórica e geográfica: resgata-se aqui a história de ocupação e economia, com ênfase a extração nos seringais e castanhais. Atrativos para a ocupação na região no início, com gerenciamento agressor ao extrativista, tornando-o refém e submisso de um modelo econômico favorável apenas ao dono e empreendedor (grande latifundiário) que tinha assim o controle na região. Vemos também o abandono da priorização extrativista na fase Ludwig, com possibilidade de grande impacto pela supressão florestal por espécie exóticas (em um planejamento de maior lucro) e com a construção de uma hidrelétrica visando principalmente os interesses do empreendedor. A RESEX do Cajari foi criada em 1990 e entrava em choque também sobre a posse da terra. - A segunda parte mostrou-se a mais interessante na obra com a caracterização do produtor extrativista no sul do Amapá. Vemos um perfil. Trabalha em áreas chamadas de UPAES (Unidades de Produção Agro extrativista), tendo que lidar com roças e pequenas criações de animais para subsistência (produção familiar). A parte final desse capítulo mostrou a forma como as cooperativas e associações foram criadas nos anos 80 (COMAJA e AMAJA) em perspectiva de organização aos interesses do produtores. Pela discordância entre eles com o capitalismo do empreendimento da Jari ocorreram conflitos pelo uso da terra. O livro resgata algumas dessas histórias. - A parte final enfatiza as dificuldades e anseios para melhor aproveitamento de modelos econômicos sustentáveis, caminhando para a industrialização, desenvolvimento da biotecnologia, crescimento populacional, necessidade de firmação de mercados concorrentes com o capitalismo predatório e que vise a valorização humana e ambiental. Posteriormente, a região protegeu mais terras para implantação de modelos de manejo sustentável com a criação da RDS Iratapuru em 1997. São pontos que vi na obra, certamente rica em muitos outros.
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