Um pindaíba nunca está sozinho -

    Maria Estela Ximenes

    Scortecci Editora
    2013
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9788536632858
    Português Brasileiro

    Esta crônica é para você, endividado – desesperado por um prêmio que possa aliviar a sua pindaíba. Contador inveterado de moedas, tem o hábito de pedir emprestado sabendo que não vai pagar. Você, que culpa o seu cérebro inocente de esquecer a data de quitar as dívidas. Que deve todos os dias do ano – possui uma lista de dívidas e é membro da lista dos inadimplentes. Cada dívida, uma história: do dinheiro suado que não supriu as contas, de um imprevisto que bateu à sua porta. Você que gosta de esticar os bolsos para mostrar que estão vazios, que cobiça a fortuna alheia e desejaria possuir uma máquina de fazer dinheiro. Se tivesse condições, colocaria borracha no dinheiro para que ele esticasse. Que presenteia parentes e amigos com lembrancinhas para provar que não é sovina. É a labuta ou a fome – o tênis velho ou o chão, a água ou a seca, a mixaria ou a esmola. Você é um ser peculiar – assiste o discurso do presidente no dia primeiro de maio e já pensa em gastar o mísero acréscimo de salário. Crônica “Endividado”

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    Leitor Sagaz02/04/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Textos para nos identificarmos, muito alegre e descontraído.

    Resenha publicada no blog Leitor Sagaz O livro aborda de maneira muita alegre a questão de estarmos na "pindaíba", ou seja, de estarmos no vermelho, comprando fiado e pedindo troco! Acho que muitos leitores, assim como eu, vão se identificar com esta situação. Maria Estela soube abordar várias situações de nosso cotidiano, tais como: *Cartão estourado; *Salário baixo; *Consumismo; *Avareza. Tudo isso de maneira bem coloquial, dei boas risadas com este livro, me peguei inserido em algumas crônicas, afinal quem nunca ficou no vermelho? Temos também a questão crítica em cima do consumismo, algo realmente que assola a sociedade atual, vemos boa parte da população afundada em dívidas desnecessárias, gastando seu mísero salário em futilidades do cotidiano. Recomendo este livro, não só para se divertir mas também para pensar um pouco em sua situação financeira, garanto que vocês irão gostar da leitura. Vou deixar aqui uma das crônicas que me identifiquei: Dez Cartões de Crédito Houve um tempo em que eu tinha dez cartões de crédito. Eles foram chegando aos poucos. Primeiro vinha um comunicado, depois um envelope registrado com um cartão vistoso acompanhado de incentivos. Era tentador - cartões de todas as cores embelezando o compartimento da minha bolsa. Sentia-me imponente. Organizei as datas dos vencimentos dos cartões em dias diferenciados para que as compras fossem efetuadas sem interrupções. No início, quitava o valor único das parcelas; depois, comecei a quitar o mínimo. Acontece que os juros dos valores mínimos transformaram-se em máximos e entrei para o clube dos inadimplentes. O estopim foi uma compra por amizade. Essa, pude constatar, gerou inimizade. Em nome da amizade, assinei um contrato para a compra de um computador. O acordo era que o "amigo" pagaria as parcelas do computador, mas as datas venciam e ele não se manifestava. A penúria foi roendo o meu sistema nervoso, a ponto de eu procurar terapia. Desabafei para a psicóloga o calote envolvendo o meu "amigo" e a dificuldade em quitar as dívidas dos dez cartões de crédito. A psicóloga me olhava longamente por detrás da mesa - eu lia nas entrelinhas os seus pensamentos, "você é uma tola, emprestar seu nome, usar dezenas de cartões, pagar o mínimo". Suas palavras, no entanto, eram outras: disse que eu precisava frear o impulso consumista e fazer um acordo com as operadoras dos cartões de crédito. Foi aí que surgiu a ideia da fogueira - queimei os meus cartões de crédito no quintal da minha casa; era possível ver de longe a fumaça do plástico derretido. A bolsa ficou leve após a ação, embora eu sentisse um tristeza, como se tivessem me proibido de comprar sapatos ou chocolates. Mas, qual não foi a minha surpresa quando percebi que havia sobrado um cartão? Estava oculto no fundo da gaveta do armário! Meu primeiro impulso foi queimá-lo. Mas será que a presença de um único cartão não era um aviso de que eu não deveria ser tão radical? Durante um passeio no shopping, me deparei com um Tablet em promoção. No ato, saquei o único cartão que possuía. Mas a satisfação durou pouco quando vi a pilha de boletos na mesa gritando comigo. Lembrei-me da terapia, dos dez cartões de crédito, do "amigo" e do dinheiro escasso. Definitivamente, estava me afogando, e o pior é que não possuía um parente ou amigo abastado que pudesse me resgatar. Respirei fundo, desliguei-me dos cartões, do "amigo", da psicóloga e desembrulhei o equipamento que acabara de comprar. Até a próxima, Diego de França

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