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    Caligrafia dos sonhos -

    Juan Marsé

    Alfaguara
    2014
    296 páginas
    9h 52m
    ISBN-13: 9788579623158
    Português Brasileiro
    3.9
    12 avaliações
    Leram23Lendo4Querem98Relendo0Abandonos4Resenhas2
    Favoritos2Desejados98Avaliaram12

    Ringo é um menino calado e tímido, apaixonado pelas aulas de música e pelo faroeste americano. Vivendo em uma Barcelona marcada pelo fim da guerra civil, em meados dos anos 1940, seu cotidiano difícil oferece pouco espaço para pensar no futuro. Além do racionamento de alimentos, a família vive sob constante ameaça da polícia franquista, e o pai, que trabalha à noite numa atividade proibida, sabe que um dia terá de fugir. Como se não bastassem seus problemas, o menino acompanha de perto o drama de Vicky Mir, vizinha da família, mulher ingênua e apaixonada, cuja vida se despedaça quando seu amante a abandona de forma abrupta. Vicky vive sozinha com a filha, Violeta. Ringo não tem como não acompanhar a vida das duas; enquanto se apaixona por Violeta, ele assiste ao declínio gradual da sanidade da mãe da menina. Leitor voraz de histórias de faroeste, Ringo passa a escrever sobre seus arredores em uma melancólica caligrafia sobre uma geração perdida e esperançosa, tentando construir um futuro ainda incerto às margens da guerra. Ao ter de lidar pela primeira vez com o amor, Ringo vai aos poucos descobrindo seu caminho no mundo. Caligrafia dos sonhos é um relato comovente sobre a iniciação ao desejo e à escrita, ao mesmo tempo em que aborda com maestria um período sombrio da história espanhola.

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    Fábio Ribas Wanderley Dantas picture
    Fábio Ribas Wanderley Dantas08/07/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Caligrafia dos sonhos

    Juan Marsé me chamou a atenção na leitura de “Últimas tardes com Teresa”. Fiquei fascinado com sua escrita repleta de imagens, metáforas e analogias. Contudo, “Caligrafia dos sonhos” demorou a me fisgar. Foi no capítulo 6, lá pela página 100, com 1/3 do livro lido, que me surpreendi envolvido pela narrativa e tudo fez, finalmente, sentido para mim. Isso só pode acontecer, por não ser eu um leitor que abandona livros começados. Não sei. Não consigo. Persevero até a última página. Portanto, que grata experiência eu tive a partir do sexto capítulo. Acredito que a vida, para muitos de nós, também seja assim: a beleza pode estar bem depois daquela esquina e, se não estiver, estaria logo depois da esquina seguinte? Se retornarmos antes de chegarmos ao fim, nunca saberemos. À parte do capítulo 6, que não irei contar para você, encantei-me também com as descrições de filmes, gibis e músicas, mais ainda das descrições das atrizes daquela época. A narrativa se dá na Espanha pós-Segunda Guerra. Ringo, nosso personagem principal, tem uns 15 anos e se sente atraído por Violeta, filha de Vick, uma senhora que, logo no início do livro, nos é apresentada tendo um surto psicológico, que, confesso eu, durante dois ou três momentos da história, até suspeitei do que realmente se tratava, mas será só no final que teremos a revelação irônica. Digo irônica, pois Ringo foi sempre “tão observador” e não teve olhos para perceber o que estava bem ali diante dele? Como dizia, chamou-me a atenção e me fez procurar cada um dos nomes citados as descrições feitas das atrizes daqueles filmes da década de 40 que Ringo ia assistir nos cinemas da cidade.

    4 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 12
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas58%
    • 3 estrelas8%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas0%
    Juan Faneca Roca profile picture

    Juan Faneca Roca

    Juan Faneca Roca conhecido como Juan Marsé (8 de Janeiro de 1933, Barcelona, Espanha) é um premiado escritor espanhol. Aos 25 anos, começou a escrever regularmente nas revistas Ínsula e El Ciervo. Ainda nesse ano terminou o seu primeiro romance Encerrados com un solo juguete, no qual já vinha a trabalhar desde os 22 anos, quando cumpriu serviço militar em Ceuta. Concorreu com esta obra a um prémio do qual foi finalista, o que lhe valeu a publicação do romance. Uma amiga incentivou-o a continuar a escrever e em 1959 convenceu-o a enviar um conto, Nada para morir, para o Prémio Sésamo, que viria a ganhar. No ano seguinte, Juan Marsé deixou a joalharia e foi viver para Paris, em França, onde arranjou emprego num laboratório no Instituto Pasteur. Paralelamente, começou a traduzir argumentos de filmes e a dar aulas de espanhol. Regressou a Espanha em 1962, ano em que publicou Esta cara de la luna. De novo a viver em Barcelona, iniciou a sua ligação ao Partido Comunista Espanhol. Três anos mais tarde, ganhou o Prémio Biblioteca Breve com o romance Últimas tardes com Teresa. Teresa foi uma das suas alunas de espanhol em Paris e era filha de um pianista famoso. Juan Marsé, entretanto, passou a escrever publicidade, textos para capas de livros e diálogos para argumentos cinematográficos. Em 1970 foi nomeado redactor-chefe da revista Bocaccio. Prosseguiu a carreira de escritor com La oscura historia de la prima Montse e Si te dicen que cai, para a qual se inspirou na sua infância. No entanto, esta última obra foi censurada em Espanha e Marsé foi obrigado a editá-la no México, onde viria a receber o Prémio Internacional de Romance. A partir de 1974 passou a colaborar na revista Por Favor, para a qual elaborava retratos literários de personalidades da actualidade, desde actores a políticos e até figuras da alta sociedade. Entre 1975 e 1978 escreveu alguns textos para cinema apenas para ganhar dinheiro. Neste último ano ganhou o Prémio Planeta, um dos mais conceituados de Espanha, com a obra La muchacha de las bragas de oro. A partir desta altura passou a ser um autor com muito sucesso junto do público. Seguiu-se em 1982 Um dia volveré e em 1984 Ronda del Guinatrdó, ambas com Barcelona como cenário. Dois anos depois publicou um novo livro, desta vez de contos, intitulado Teniente Bravo. Em 1990, com El amante bilingue (O Amante Bilingue), ganhou o prémio Ateneo de Sevilha. Três anos mais tarde lançou El embrujo de Shangai (O Feitiço de Xangai), que venceu o Prémio da Crítica, em Espanha, e o Aristeión, atribuído pela União Europeia. Ambas as obras estão editadas em Portugal. Em 1997, Juan Marsé foi distinguido com o Prémio Juan Rulfo da Literatura Latino-Americana e do Caribe, o mais conceituado da América Latina. Em 2000 regressou aos lançamentos com Rabos de Lagartija (Rabos de Lagartixa), também editado em Portugal.

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    Juan Faneca Roca