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    O homem-mulher - Contos

    Sérgio Sant'Anna, Sérgio Sant'Anna

    Companhia das Letras
    2014
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788535924756
    Português Brasileiro
    4.1
    61 avaliações
    Leram75Lendo5Querem80Relendo0Abandonos1Resenhas5
    Favoritos6Desejados80Avaliaram61

    O antológico livro de um dos maiores autores da literatura brasileira. A obra de Sérgio Sant'Anna é de difícil classificação. Transgressor contumaz, ele vem desde a década de 1960 testando os limites da prosa, dos gêneros - e da própria ideia de literatura. Seus romances, contos, poemas, novelas e peças de teatro romperam tradições e derrubaram barreiras entre alta e baixa cultura, entre popular e erudito, numa linguagem descarnada tão reconhecível quanto escorregadia, que influenciou inúmeras gerações de escritores. Apesar da explícita vocação experimental, Sant'Anna sempre foi também autor de prosa acolhedora, cujo interesse parece residir não em alienar o leitor, mas, ao contrário, em incluí-lo nos intricados e deliciosos jogos literários que concebe. Os contos de O homem-mulher configuram a expressão máxima dessa ideia. É o caso da história em que o protagonista se apaixona pela vendedora de lencinhos que junta dinheiro para o tratamento de câncer do marido. Em meio à alta carga erótica da trama, o conto também se revela delicado como os produtos da garota. Ou, então, do magistral e imediatamente antológico "Eles dois", que narra, com força cinematográfica, a história de um casal morando num casarão nos anos 1970. Capaz de surpreender até seus leitores mais antigos, O homem-mulher é também uma perfeita porta de entrada para a obra rica, vasta e memorável de Sérgio Sant'Anna.

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    Resenhas (5)Ver mais
    Joao Antonio picture
    Joao Antonio10/04/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O pleno domínio do formato

    Livros de contos são uns dos materiais que mais gosto de consumir. Sempre me dá a impressão de que podemos acessar diversos mundos e situações em um único livro; além da praticidade e da leitura aparentemente fluir mais rápido. Esse foi o meu primeiro contato com o autor e posso dizer que a impressão foi a melhor possível. Livros de contos têm o percalço de a experiência oscilar de um conto para outro. Sempre há desníveis, mas aqui não observei isso. Claro que gostei mais de uns contos do que de outros, contudo senti que todos tiveram algo a me ensinar ou foi um entretenimento bem acima da média. O autor aborda temas que por vezes vem carregado de uma melancolia linda (Ex: Melancolia, Eles Dois, Um Retrato; Clandestinos); às vezes vem com uma ironia, com palavras mordazes e situações escandalosas, por vezes até grotescas (O Rigor Formal, As Antenas da Raça, O Homem-Mulher); algumas vezes soa bem metalinguístico (O Conto Maldito e o Conto Benfazejo, Prosa); e uma novidade boa para minha experiência, tem contos que trazem uma paixão pela arte, focada nas artes plásticas, que é como se você tivesse vendo e sentindo as imagens que o autor narra (Madonna, Amor a Buda, Este Quadro). Todas essas temáticas estão acompanhadas com uma linguagem ágil e uma narrativa que me remeteu de imediato a autores como Rubem Fonseca e Dalton Trevisan. Além disso, mesmo que a linguagem se distancie um pouco, a meu ver, senti uma ótica bem “rodrigueana” na obra. Para mim, parece que Sergio Sant’Anna e Nelson Rodrigues compartilhavam o mesmo objeto de “estudo” para as suas histórias (até a paixão por futebol pelo visto). Outra semelhança que vi entre os dois autores é o “dom” para construir personagens. Em poucas linhas, a maioria dos personagens envolvidos nas histórias cativa o leitor (para o bem ou para o mal heheh) e Sergio Sant’Anna trabalha em alguns contos com uma transição de perspectiva que eu achei genial. É como se o protagonismo da história fosse passando de personagem pra personagem e cada um deles vai atraindo o leitor à sua maneira (tem um conto envolvendo uma barata em que achei isso genial). Com tudo isso, essa experiência de leitura se tornou a minha preferida do ano, junto com “O Ensaio Sobre a Cegueira”. Felizmente o ano tá no início e ainda tem (eu espero rsrs) muita coisa legal para ler e provavelmente mais Sergio Sant’Anna.

    32 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 61
    • 5 estrelas34%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Sérgio Sant'Anna profile picture

    Sérgio Sant'Anna

    Sérgio Sant'Anna foi um advogado, professor universitário e escritor brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1941. Embora já tenha publicado poesia, peças de teatro, novelas e romances, ele se considera primeiramente um contista. Iniciou sua carreira de escritor em 1969, com os contos de <i>O sobrevivente</i>, livro que o levou a participar do International Writing Program da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos. Sua obra é notória pelo caráter experimental, abordando temas urbanos de várias formas diferentes, algumas bastante transgressivas. Seu romance mais célebre é <i>As Confissões de Ralfo</i> (1975). O livro é a história de um escritor que decide escrever uma "autobiografia imaginária", narrando vários fatos extraordinários numa sucessão inverossímil. O livro satiriza vários estilos consagrados: o diário de bordo, o filme de ação, o discurso utópico e, até mesmo, no auge da ditadura militar brasileira, os relatos de tortura. Em uma das cenas mais famosas do livro, o protagonista é preso por mendicagem e posto num interrogatório em que as perguntas são do tipo que se faz na escola ("Quem descobriu o Brasil?", etc...). Teve obras traduzidas para o alemão e o italiano e adaptadas para o cinema. Recebeu quatro vezes o prêmio Jabuti, a mais recente pelos contos de <i>O voo da madrugada</i> (2003), que recebeu também o prêmio APCA e o segundo lugar no prêmio Portugal Telecom de literatura.

    21 Livros
    18 Seguidores
    RJ, Brasil

    Sérgio Sant'Anna