Voce pode ser de classe média alta. Você pode morar perto de uma das cidades mais badaladas do mundo. Voce pode ser privilegiado. Mas.... isso é ter vida boa? Será que se você nascer com benefícios que apenas uma restrita minoria tem... significa que você vai ser feliz?
O que listei no parágrafo anterior é o que Talco De Vidro, com um roteiro de arrepiar, apresenta. Rosângela é tudo isso que falei: nada faz falta para ela. Ela tem uma família que a ama, um escritório odontológico de primeira linha... tudo para ela ser feliz, não?
Bem, não. Ela pode ser privilegiada, mas será que isso é a mesma coisa que felicidade?
Podemos ter tudo que a maioria quer. Podemos ter tudo que muitos desejam. Mas podemos não ser felizes com tudo isso: a felicidade é subjetiva. Talvez, o simples fato de ver o por do sol pode liberar mais dopamina que comprar um carro de luxo. Ser feliz é algo único e sentimental, e não geral e material.
Isso é muito comentado no quadrinho nos momentos em que Rosângela se compara com a sua prima: Sua prima vem de origem humilde e sofreu muito na infância, coisas que a protagonista nunca chegou perto de passar, mas ela é muito mais feliz do que a prima privilegiada. Dinheiro não significa felicidade.
Os desenhos do Quintanilha também devem ser exaltados: eles dão todo um ar sofrido e reflexivo a obra, muito realístico.
Talco de Vidro é mais um belíssimo quadrinho do Marcello Quintanilha. Digo aqui a mesma coisa que disse em minha resenha de ‘Tungstênio’: leiam se estão preparados para para terminar refletindo sobre a vida.