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    Santa Clara Poltergeist -

    Fausto Fawcett

    Arte e Letra
    2015
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788568601013
    Português Brasileiro
    3.7
    38 avaliações
    Leram60Lendo1Querem75Relendo0Abandonos2Resenhas7
    Favoritos0Desejados75Avaliaram38

    Reedição do romance de ficção científica publicado em 1990. 'Santa Clara Poltergeist' conta as aventuras de Verinha Blumenau, garota de programa do interior de Santa Catarina que, ao cair numa poça de lama, é penetrada por substâncias que provocam mutações radicais no seu organismo - seu corpo é blindado contra doenças e ganha poderes de cura infinitos. Verinha vai para Copacabana, onde, por obra e graça de fundamentalistas da radioatividade, há uma falha magnética que elimina as fronteiras entre a nossa dimensão e outras possíveis. O bairro, naturalmente já convulsivo, transforma-se com Santa Clara Poltergeist (nome que a personagem adotada em referência à rua onde realiza sessões de cura, convocando as pessoas através de TVs fora do ar) e com a falha magnética - é a Meca do sexo açougue, da explosão extravagante dos cinco sentidos, da tecnologia de gambiarras surreais e da mais alucinada promiscuidade espírita.

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    Resenhas (7)Ver mais
    Junior Cazeri picture
    Junior Cazeri12/06/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Primeiro romance de Fausto Fawcett, este Santa Clara Poltergeist é tido como uma das poucas obras brasileiras que se pode rotular como cyberpunk. Publicado em 1991 pela Editora Eco e hoje esgotado, sendo encontrado apenas em sebos, o livro de Fawcett se mostra audaz em muitas e muitas frentes, já podendo ser considerado um clássico do gênero e com poucos iguais no que se propõe. O personagem principal é Mateus, um eletricista paulista, ou NEI (negão eletricista informático, nas palavras do autor) que após receber um chamado por meio de um impulso elétrico que o leva a um orgasmo sem precedentes, parte para o Rio de Janeiro com o intuito de salvar a cidade da destruição pelas mãos de um grupo terrorista radical, que criou uma bomba em forma de ovário, esta que só pode ser contida se introduzida na tal Santa Clara, uma jovem que após uma experiência surreal com uma bicicleta sem selim, passou a curar doentes por meio do sexo. Eu disse que haviam poucos iguais, não disse? O tema da obra não é a ameaça terrorista ou a busca de Mateus por Santa Clara, aliás, os personagens do livro são figurativas e quase desprezados por toda a narrativa, servindo unicamente ao propósito de justificar os delírios de um futuro decadente e movido a um sexo bestial, ainda que nem sempre carnal. Um tanto de crítica, muito de paródia e um cinismo que permeia cada sentença, assim segue a obra. Se existe um personagem de destaque, esta é a Copacabana descrita no livro. Um cenário mais sujo do que a maioria das mentes poderia imaginar, onde se formou uma imensa falha magnética, contida por nuvens de lingeries, que provoca nas pessoas impulsos homicidas e desperta poderes paranormais. Portanto, desde combustão espontânea até crianças estripadas povoam as páginas, levando o leitor do cômico ao gore, com constantes descrições de sexo explícito e fetichista em formas um tanto… imaginativas. Claramente inspirado pelo cinema, notadamente no bairro chinês de Blade Runner e as loucuras eletrônicas de Videodrome (uma tv se contorcendo de prazer ao ser chicoteada?), a ficção cyberpunk da Fawcett se afasta do conceito da realidade virtual e mergulha no homem e sua relação com a tecnologia e a imoralidade. A liberdade virtual se faz presente em um mundo sem barreiras políticas ou sociais relevantes e a consciência do homem se torna juíza de seus atos. E o que esperar de homens que definem eles próprios seus limites? Um de meus diretores favoritos de todos os tempos, David Cronenberg (Videodrome, A Mosca, Crash – Estranhos Prazeres, eXistenZ, entre outros), se mostra uma influência muito superior a William Gibson e outros escritores cyberpunks no trabalho de Fawcett, já que seus temas principais se fazem presente de forma direta: a transformação do corpo por meio da tecnologia, a ligação entre tecnologia e sexualidade, o homem subjugado pelos prazeres tecnológios, auto mutilação etc. Contudo, Fausto Fawcett adaptou esses conceitos para uma realidade totalmente brasileira. Não espere carros voadores e outros gadgets incríveis. O maquinário descrito em Santa Clara Poltergeist parece ter saído de um ferro velho qualquer e a ferrugem se funde à sujeira moral dos personagens e a poluição da cidade. Em muitas passagens é quase impossível sentir um clima futurista, já que as descrições parecem as de um país parado no tempo, tentando se adaptar a um mundo avançado com a utilização de sucata. Santa Clara Poltergeist não é um livro fácil, pode se tornar cansativo para os não iniciados em autores verborrágicos e que fogem da narrativa com frequência maior do que a seguem (Henry Miller e Marcelo Mirisola, para citar apenas dois), e também pode chocar o público mais pudico por sua linguagem pesada e passagens pornográficas. Contudo, não é essa a linguagem do cotidiano? Não são nossos devaneios mais comuns que nossas ações e palavras? E, para esclarecer: cu, boceta e caralho não são palavras de nossa língua pátria? Se você discorda, sinto muito, um abraço, o livro não é para você. Por outro lado, os interessados em conhecer mais de nossa literatura fantástica, em especial um gênero que só agora, no século XXI, ganhou certa evidência em nossas terras e fugir da mesmice de universos virtuais e hackers charmosos, tenha a certeza que de Santa Clara Poltergeist tem muito a oferecer. Depois da leitura seus conceitos sobre a necessidade de “seriedade” e “realismo” em trabalhos escritos vai mudar, e o surreal da obra pode te convencer e te fazer pensar, o que é muito mais do que se consegue com a maioria dos trabalhos atuais. Obrigatório. Resenhado no http://cafedeontem.wordpress.com/

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