Aos olhos do mundo, Inês é a menina perfeita. Frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Por detrás das aparências, a realidade é outra, e bem distinta. Inês e os seus amigos são consumidores regulares de drogas, participam em arriscados jogos sexuais e utilizam desregradamente a internet, transformando as suas vidas numa espiral marcada pelo descontrolo físico e emocional. Francisco Salgueiro dá voz à história real e chocante de uma adolescente portuguesa, contada na primeira pessoa. Um aviso para os pais estarem mais atentos ao que se passa nas suas casas.
O Fim da Inocência
Francisco Salgueiro
Os jovens já fazem merd* por natureza. Isso piora exponencialmente quando os pais são irresponsáveis.
*** Pode conter spoilers *** Eu poderia escrever esta resenha ao amanhecer, mas tenho muitas coisas a dizer sobre este livro, e se deixasse para mais tarde, esta resenha não sairia da forma que desejo. A princípio, este título chamou minha atenção por ser tão direto. Após ter pesquisado sobre o livro, percebi que se tratava do diário de uma adolescente portuguesa anônima, e que ela relatava alguns períodos de sua vida, nos quais foi completamente libertina. A premissa central do livro é servir como um aviso aos pais, já que Inês era uma menina "inofensiva" da elite portuguesa e que, segundo a sociedade, não teria motivos para adotar comportamentos problemáticos. Devo dizer que não me surpreendi com nada da história dela. Tudo o que ela relatou é, infelizmente, completamente normal para os jovens de hoje. Conheço pessoas que tiveram histórias de vida mais libertinas do que ela e, mesmo assim, não escreveram um livro, que, aliás, seria melhor do que este. É claro que o livro foi escrito em 2010, quando a realidade era diferente, mas o livro valoriza muito sua trama e não entrega nada à altura. Talvez, por ter sido escrito há mais de uma década, naquela época, tenha realmente servido como um aviso aos pais. Nesse caso, dá para relevar. A história de Inês é completamente perturbadora para os padrões da época, mas ao mesmo tempo retrata muito bem a rotina dos adolescentes que são subestimados pelos pais ou criados ao acaso. É consenso que os jovens, quando criados por pais excessivamente liberais, acabam se corrompendo e, devido à falta de discernimento e maturidade, optando por caminhos problemáticos. Os relatos de Inês evidenciam algumas coisas importantes para os pais: a facilidade com que os jovens são influenciados e persuadidos por pessoas que eles mesmos julgam "descoladas", o amplo acesso às drogas e a curiosidade acerca do sexo, que futuramente pode ocasionar problemas como gravidez precoce, abortos e doenças sexualmente transmissíveis. Não faz o meu estilo de leitura, já que o livro é repleto de cenas de sexo explícito e lascívia. Não valorizo esse tipo de literatura, mas li porque (obviamente) não sabia da existência dessas cenas, e por se tratar de um relato em primeira pessoa (uma espécie de diário). Eu imaginava que seriam abordados problemas sexuais e outros detalhes, mas não imaginei que o livro fosse estruturado em lascívia, pornografia e pedofilia (que, da forma que foi relatado por Inês, não parece ser crime em Portugal). Seja como for, a melhor forma de criar filhos é, sim, seguindo o método conservador. Existem alguns jovens que fogem totalmente dos ensinamentos conservadores, mas eles são exceção entre as exceções. Não importa o nível financeiro, escolaridade e outros fatores que as pessoas erroneamente julgam como causadores desses desvios de conduta. A única coisa que fará o seu filho se tornar um sequelado é algo bastante simples: a sua incapacidade e irresponsabilidade em educá-lo. Ou seja, se o seu filho é jovem e seguiu pelo caminho errado, não adianta querer se isentar da culpa, dizendo que ele escolheu o caminho errado por conta própria. Se o seu filho se corrompeu, você, pai/mãe, são os únicos culpados por isso. Devemos lembrar que ninguém nasce corrompido.
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