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    Não há lugar para a lógica em Kassel -

    Enrique Vila-Matas

    Cosac Naify
    2015
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788540508408
    Português Brasileiro
    4.3
    53 avaliações
    Leram69Lendo7Querem113Relendo0Abandonos2Resenhas4
    Favoritos10Desejados113Avaliaram53

    Em 2012, Enrique Vila-Matas foi convidado para fazer parte do maior evento de arte contemporânea do planeta: a Documenta, realizada na cidade alemã de Kassel. Lá, ele teria que ocupar a mesa de um restaurante chinês por alguns dias e escrever diante de todos que se aproximassem. Em Não há lugar para a lógica em Kassel, espécie de “reportagem romanceada” sobre sua participação na feira, esse escritor maduro e experiente que é Vila-Matas se surpreende diante de uma linguagem artística mais complexa do que jamais imaginou. Entre o humor e o espanto, rodeado de estranhezas e maravilhas, o autor põe em xeque o papel do artista frente a uma Europa destroçada pela crise e reconstrói uma visão de mundo e da arte a partir de impensadas perspectivas.

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    Tatianne Dantas picture
    Tatianne Dantas14/07/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Até o começo desse ano eu era a pessoa que, quando visitava uma exposição de arte contemporânea e não entendia bulhufas do que estava acontecendo ali, pensava: ah, qualquer pessoa pode fazer isso. Ou então, me identificava com o chiste bastante difundido de encontrar um caixote jogado no meio do museu e não saber se faz parte da exposição ou é simplesmente algo que alguém esqueceu ali. Apesar do cinismo, sempre que possível eu ia nessas exposições, talvez com vontade de que alguma coisa chamasse minha atenção a tal ponto que eu suspirasse e dissesse: ufa, isso eu consigo identificar como arte. Não aconteceu em uma exposição, mas em uma aula com um professor entusiasta de artistas para mim totalmente desconhecidos. Ele disse mais ou menos assim: 'Muitas pessoas olham pra essas obras e pensam: ah, qualquer um pode fazer isso (pausa dramática, ele é afeito a essas coisas). Mas então, por que qualquer um não faz?'. Fiquei no chão. E foi assim que eu comecei a olhar com outros olhos para essas obras que acontecem talvez, num tempo diferente, onde o que importa é como ela é feita e não o resultado do que é feito. E foi no momento de escrever o artigo de fechamento da matéria que lembrei desse livro do Vila-Matas e pensei: olha, acho que pode me ajudar. Não poderia estar mais certa, 'Não há lugar para a lógica em Kassel' é uma ficção romanceada da visita do autor a uma das maiores exposições de arte contemporânea do mundo - que eu também só vim conhecer esse ano - a Documenta, que acontece em Kassel na Alemanha. Vila-Matas é convidado de uma forma um pouco inusitada para fazer parte da décima terceira edição da Documenta, não apenas como autor, mas como parte de um conceito: ele ficaria escrevendo em um restaurante chinês e, quem se interessasse, poderia parar e conversar com ele, o que o deixou muito angustiado (quem não ficaria?). Mesmo assim, ele topou. Mais como uma tentativa de se abrir para outras artes além da literatura ou fazer com que a letra contenha outras coisas. E é um dos livros mais bonitos dele entre os que já li, principalmente porque dá pra ver o cinismo caindo em muitos momentos. Ou talvez eu tenha me identificado com isso. Mas é um relato que, ao falar sobre a busca da originalidade na arte, fala também sobre sua impossibilidade. E renova uma discussão que parece já cansada e enfadonha, trazendo um pouco de graça e leveza a ela. Vila-Matas é um autor que transita bem entre a erudição e a grande brincadeira que a literatura também pode ser. É possível dar muita risada com a pretensão dele em alguns momentos que, a meu ver, nunca soa pedante, porque ele está sempre rindo de si mesmo. Eu fiquei muito encantada com alguns trechos e acho que dá pra falar páginas sobre esse livro sem esgotá-lo mas o que fica mesmo é o fascínio que ele experimenta diante de algumas obras, o fascínio que qualquer pessoa experimentaria, mesmo quem nunca teve contato com nenhum dos paranauês sobre arte: "A arte, pensei então, é algo que está acontecendo conosco".

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    4.3 / 53
    • 5 estrelas43%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Enrique Vila-Matas

    Enrique Vila-Matas (Barcelona, 1948) é um escritor espanhol. Nasceu em Barcelona em 1948. Em 1968 foi viver para Paris, auto exilado do governo de Franco e à procura de maior liberdade criativa. O apartamento onde se instalou foi-lhe alugado pela escritora Marguerite Duras. Durante esse anos subsistiu realizando pequenos trabalhos como jornalista para a revista "Fotogramas", e chegou a colaborar como figurante em Estoril num filme de James Bond. Vila-Matas publicou o seu primeiro livro, "La Asesina Ilustrada", em 1977, e desde então não mais deixou de escrever pois, segundo ele, "escrever é corrigir a vida, é a única coisa que nos protege das feridas e dos golpes da vida." Com a publicação de "História Abreviada da Literatura Portátil" começou a ser reconhecido e admirado no âmbito internacional, especialmente nos países latino-americanos, França e Portugal. As suas obras são uma mescla de ensaio, crônica jornalística e novela. A sua literatura, fragmentária e irônica, dilui os limites entre a ficção e a realidade. Desenvolveu uma ampla obra narrativa que se inicia em 1973 e que, até à data, foi traduzida para 29 idiomas. Atualmente é um dos narradores espanhóis mais elogiados pela crítica nacional e internacional.

    42 Livros
    80 Seguidores

    Enrique Vila-Matas