A beleza salvará o mundo - Redescobrindo o homem numa era ideológica

    Gregory Wolfe

    Vide Editorial
    2015
    396 páginas
    13h 12m
    ISBN-13: 9788567394312
    Português Brasileiro

    Gregory Wolfe é um professor, escritor e editor americano bastante influente nos dias de hoje. Seu pensamento sobre a arte e a cultura contemporâneas apóia-se em princípios não-ideológicos, que buscam ver na arte a função de expressar nosso tempo sem perder o diálogo com a tradição artística de nossa cultura. Neste livro, o autor, que vê nossa época como extremamente politizada e ideológica, reafirma o valor de um retorno às raízes mais profundas da nossa cultura e do diálogo com grandes artistas de outras épocas para que resgatemos o sentido da nossa própria existência. Sua análise parte da famosa e profética frase do romancista russo Fiódor Dostoiévski: “A beleza salvará o mundo”.

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    Cristiano Mützenberg31/05/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A arte deve buscar o diálogo com as realidades humanas

    Gregory Wolfe consegue, através desta série de ensaios, estabelecer um diálogo das artes com a cultura contemporânea. Combate o que ele mesmo reconheceu ter sido um erro da sua juventude: conceber a boa arte como algo exclusivo do passado e “lutar contra a fera da modernidade”, ou seja, uma guerra cultural passadista e sem sentido. Analisando diversos escritores, artistas e eruditos, Wolfe demonstra como, embora, de fato, exista muita arte moderna de má qualidade, podemos também encontrar artistas dos tempos modernos que souberam estabelecer um diálogo da Beleza (da arte capaz de conduzir à Verdade e à Bondade), com a cultura contemporânea. Wolfe renega especialmente a tentação, seguida por muitos conservadores, de separar o transcendente do humano. Ao evitar o diálogo das artes com a realidade humana atual, produtos esdrúxulos, como uma “banda de heavy metal cristã”, exemplo por ele citado, podem surgir. O grande problema desse fenômeno é que, nesse ponto, a arte já não interfere no imaginário social, mas acaba sendo apenas outro nome para uma realidade sem qualquer transcendência já anteriormente criada. Pelo contrário, Wolfe apresenta exemplos eficazes dos tempos modernos, como Flannery O’Connor e T.S. Eliot, entre tantos outros citados e recomendados no livro, que souberam de alguma forma misturar-se com a cultura moderna sem perder a sua essência cristã, mas, também, sem fazerem da sua arte um mero proselitismo ou catequese. A arte deve buscar o diálogo com as realidades humanas. Somente assim será capaz de conduzir o público às realidades transcendentes. Um livro que vale a pena ser lido e guardado na biblioteca pessoal. Além do livro, recomendo a apresentação feita pelo professor Rodrigo Gurgel, em vídeo disponibilizado nesta página do Skoob.

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