O Anjo Negro - A Mão Esquerda de Deus #3

    Paul Hoffman

    Porto Editora
    2014
    456 páginas
    15h 12m
    ISBN-13: 9789720046352
    Português

    «A tua alegria está em arrasar coisas… O que te alegra a alma é destruição e desolação.» Thomas Cale anda a fugir da verdade. Desde que descobriu que o seu brutal treino militar tinha um objetivo - destruir o maior erro de Deus, a própria Humanidade - Cale é perseguido pelo mesmo homem que fez dele o Anjo da Morte: o papa Redentor Bosco. Cale é um paradoxo: arrogante e inocente, generoso e desapiedado, temido e venerado por aqueles que o criaram, ele já deu inúmeras provas do seu enorme poder. Mas agora Thomas Cale está fraco. A sua alma está a morrer. Enquanto as convulsões lhe percorrem o corpo, sabe que o julgamento final não esperará por um rapaz doente. À medida que o Dia do Juízo se aproxima, a vingança de Cale leva-o ao coração das trevas - o Santuário - onde confrontará a pessoa que mais odeia no mundo. Por fim, Cale terá de admitir que é a encarnação da Ira de Deus e decidir se se erguerá contra o Santuário dos Redentores ou se usará as suas capacidades únicas para destruir todas as coisas. O destino da Humanidade depende da decisão de Cale.

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    Kíssila Calidoni picture
    Kíssila Calidoni27/07/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Esplêndido e incompreendido!

    (Antes de tudo, meu objetivo não é menosprezar ninguém). É possível ouvir o som de asas batendo e é o som das asas do anjo da morte... Oh, mas que engano, não é isso! Pelo contrário, creio que é nisso o que somos levados a pensar. Está tão errado! Também não é o som das asas de Thomas Cale, o menino solitário e sarcástico, rumo à liberdade. Não. Esse último livro, o encerramento da saga, conta a história do voo de um menino para se tornar humano e ter sua alma de volta. O livro sempre nos diz que a crueldade, a traição, o abandono, o desprezo e desamor são golpes no coração. O protagonista recebeu tudo isso. Mais de uma vez. Mais de quarenta, o tempo todo. E isso o fez cair, ficar doente. Matou Thomas Cale! Ele morreu, estando vivo. Há coisa pior do que essa? Eu não consigo imaginar. O mais incrível foi como o autor fez tudo isso acontecer. Sofríamos ao não ver mais aquele menino do primeiro livro: invencível, inatingível. Fomos todos Boscos, hipócritas, acreditando que Cale aguentaria firme e seria sempre o mesmo, que cumpriria piamente seu papel de anjo da morte e arrasaria a todos. Queríamos um herói numa armadura de sangue, mas tivemos um menino doente, mas com uma mente genial com seus pequenos, mas ilustres, momentos de glória. Não fomos melhores que os lacônicos, purgadores ou camponeses que se sentiam estimulados pelos 'bonecos-Cale'; no fundo, queríamos ser animados como aqueles homens, que Thomas se reerguesse milagrosamente de seu estado emocional frágil e saúde debilitada, voltando a ser um matador. Mas o mundo não é assim (principalmente o mundo de Paul Hoffman). E mesmo numa situação tão difícil, posso assegurar que o fim foi ótimo, maravilhoso. Eu não mudaria uma vírgula, quem reclama pode... não sei, pode simplesmente não ter absorvido a mensagem totalmente. Eu encontrei pessoas dizendo que o primeiro livro é ótimo, o segundo é bom e o terceiro é regular/ruim. Como eu disse, podem ter perdido a maior metáfora de Paul Hoffman, a que está presente em todos os três: os homens são frágeis e a decadência existe, tanto para os fortes quanto para os fracos. Thomas Cale não foge disso. Era uma trilogia sobre ELE o tempo todo (não sobre seu relacionamento com Arbell, não sobre Henri, IdrisPukke ou Kleist). Assim, não foi a qualidade dos livros que caiu. Foi Cale que tombou. No entanto, a humanidade é difícil de aceitar em livros. Os mocinhos sempre vencem, não é? Vivem socando isso nossa goela abaixo. A humanidade não é interessante, e não queremos ela em ficção. Mas é isso que Paul Hoffman nos dá. Nua e crua. E não é uma nudez bonita. Mergulhamos em batalhas, em acertos políticos, na doença de Cale. Odiamos o fato da regressão aumentar, queremos voltar ao começo e agarrar com força tudo que ele é. Isso também não vai acontecer. O livro o termina. Cale bate suas asas. Voa. E nós ficamos, com um vazio no peito, mas, ao menos a maioria, satisfeitos. Foi uma ótima história sobre nós mesmos, os homens, o nosso mundo mesclado com o irreal. E, apesar de tudo, tudo mesmo, o final foi perfeito. Como nem todo personagem teve o que mereceu (para o bem ou mal) nem todo leitor saberá absorver essa fantástica obra. Acontece. Calidoni.

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