Rubem Braga foi o único autor brasileiro de primeira linha a se tornar exclusivamente célebre por meio da crônica. Ao todo, foram mais de 15 mil crônicas deixadas ao longo de sua carreira de escritor e jornalista. E um dos traços mais comumente lembrados de sua obra é a característica índole poética de seus textos. Como um amante da poesia, reuniu e colecionou durante anos poemas de diversos autores. E, agora, no livro A poesia é necessária, André Seffrin – grande conhecedor da literatura brasileira – compilou com delicadeza alguns poemas preferidos do cronista, que permitem ao leitor conhecer um pouco mais de quase quatro séculos da poesia brasileira. O livro A poesia é necessária, de acordo com Seffrin, trata-se de uma antologia da poesia brasileira selecionada por Rubem, que criou uma página, em 1953, para a revista Manchete, onde publicou semanalmente dezenas de poetas até 1956. Em 1979, retomou a coluna na Revista Nacional, tabloide que circulava encartado nos Diários associados, onde manteve a página até 1990, ano em que faleceu. O que Rubem Braga acabou por realizar com essa obra, talvez sem plena consciência disso e sem um projeto prévio, foi uma espécie de antologia nacional do gênero lírico, que cobre os cinco séculos da história do Brasil, desde o Padre Anchieta até poetas que continuam em atividade até hoje.


