Os dispositivos de contenção viária e os atenuadores de impacto cumprem a função de conter, redirecionar e absorver a energia de impacto de um veículo, com objetivo de reduzir a gravidade de uma possível colisão. É de se supor, portanto, que essas barreiras tenham, comprovadamente, competência no desempenho de suas funcionalidades, ou seja, que garantam maior segurança aos usuários. Certo? Mas, nas rodovias brasileiras, esse pressuposto não é, precisamente, verdadeiro. A norma NBR 6971, que disciplina os projetos e a implantação de defensas metálicas no Brasil, não exige que os dispositivos, para serem implantados, sejam submetidos a testes de colisão (no inglês, crash test) - ensaios que atestam o real desempenho das defensas na absorção de impacto durante o choque com um veículo em movimento. Nem sequer existem laboratórios brasileiros certificados para realização desses testes. Na ausência do atestado, a norma impõe o uso exclusivo de um modelo de dispositivo, com características técnicas específicas quanto à dimensão, espessura, comprimento, número de lâminas, etc. Porém, mais do que ajudar, essa padronização muitas vezes restringe a adoção de soluções de engenharia na elaboração dos projetos de dispositivos de proteção. Primeiro porque as condições locais da rodovia, como tipo de tráfego, espaço de deslocamento e tipologia da via, impõem condicionantes próprias ao desenho dos elementos de contenção, com vistas à segurança dos usuários. Segundo porque, de acordo com especialistas, as características técnicas do projeto padronizado também não são ancoradas em testes alinhados aos desafios atuais de contenção de impacto, cada vez mais desafiadores diante do avanço da indústria automobilística. Até o fim do ano, entrará em consulta pública uma nova edição da norma NBR 15486, que estabelece diretrizes gerais para o projeto de dispositivos de contenção viária. A expectativa é que o texto preveja a exigência de crash tests para aceitação de projetos de contenção. Será um avanço para a engenharia viária e, sobretudo, para a garantia da segurança nas rodovias nacionais. Mirian Blanco
Revista Infraestrutura Urbana #20 - Pontes Pré-Moldadas
não informado
PINI
2012
80 páginas
2h 40m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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