O homem da viola azul

    Wallace Stevens

    Relógio D'Água
    2005
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-10: 9727088554
    Português

    O HOMEM DO VIOLÃO AZUL I Homem curvado sobre violão, Como se fosse foice. Dia verde. Disseram: "É azul teu violão, Não tocas as coisas tais como são". E o homem disse: As coisas tais como são Se modificam sobre o violão". E eles disseram: "Toca uma canção Que esteja além de nós, mas seja nós, No violão azul, toca a canção Das coisas justamente como são". II Não sei fechar um mundo bem redondo, Ainda que o remende como sei. Canto heróis de grandes olhos, barbas De bronze, mas homem jamais cantei. Ainda que o remende como sei E chegue quase ao homem que não cantei. Mas se cantar só quase ao homem Não chega às coisas tais como são, Então que seja só o cantar azul De um homem que toca violão. O IMPERADOR DO SORVETE Chama o enrolador de charutos, O musculoso, e pede que ele bata Em xícaras caseiras cremes lúbricos. Que as raparigas vistam as roupas Que é seu costume usar, e os rapazes Tragam flores no jornal do mês passado. Que parecer termine em ser somente. O único imperador é o imperador do sorvete. Pega no armário de pinho, Com os puxadores de vidro quebrados, O lençol que ela bordou com pombas E cobre todo o corpo dela, até o rosto. Se um pé ossudo aparecer, verão Que fria e dura que ela está. Que fixe a lâmpada seu feixe quente. O único imperador é o imperador do sorvete.

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