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    O Guardador de Águas -

    Manoel de Barros

    Record
    2001
    72 páginas
    2h 24m
    ISBN-11: 8501054569_
    Português Brasileiro
    4
    207 avaliações
    Leram395Lendo13Querem250Relendo1Abandonos4Resenhas12
    Favoritos15Desejados250Avaliaram207

    Não nos enganemos: as águas que Manoel de Barros guarda não são límpidas, nem tão cristalinas como o que, a princípio, pode ser evocado pelo nome deste livro. O GUARDADOR DE ÁGUAS não é atraído pela beleza das coisas, mas pela doença delas. Por isso, é da natureza dos mínimos seres aquáticos que o guardador nos fala. São as larvas, as rãs, os escorpiões de areia, os seres que habitam a líquida matéria. E, menos que personagens, menos que objetos evocados pela voz do guardador, esses seres são, eles próprios, a coisa que pulsa, que fala, que faz a poesia de Manoel de Barros. Água de palavra. Água de letra. Água de escrita. É possível escrever na água? Em dialeto-rã, este livro se escreve. São macerações de sílabas, inflexões, elipses, refegos, o que ouvimos, quando ouvimos não apenas o guardador, mas as águas que ele guarda. É de bom-tom que não nos apressemos: as águas aqui não correm, antes escorrem, mornas, no ritmo dos pântanos ou no olhar mudo de Bernardo. Se as coisas são as coisas e mais nada, o ofício do poeta será não exatamente falar delas, mas deixá-las falar nele, e só depois escrever, entre o coaxo e o arrulo, essa poesia de líquida matéria. Cabe ao poeta, então, escrever o que sobra das águas que escorrem: húmus, barro, dejetos. Escrever o que sobra das águas e vai apodrecer nas margens — o resto. Disso sabe bem o guardador: que a água escreve, que o húmus faz poesia, que o resto é literatura.

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    Resenhas (12)Ver mais
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    Beatriz Palla Sanches24/12/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Bom, mas não entendi metade

    Achei a linguagem um pouquinho complicada, talvez por não estar muito acostumada a ler poesia.

    6 curtidas

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    Avaliações

    4 / 207
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    • 1 estrelas1%
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    Manoel Wenceslau Leite de Barros

    Atualmente, é considerado o maior ou um dos maiores poetas vivos do Brasil, sendo o mais aclamado atualmente nos círculos literários do seu país. Seu trabalho tem sido publicado em Portugal, onde é um dos poetas contemporâneos brasileiros mais conhecidos, na Espanha e na França. Pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas européias do início do século e da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade. Recebeu vários prêmios literários, entre eles, dois Prêmios Jabutis. É o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários. Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou o epíteto de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros.

    45 Livros
    421 Seguidores
    Mato Grosso, Brasil

    Manoel Wenceslau Leite de Barros