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    No Reino do Gelo -

    Hampton Sides

    Intrínseca
    2016
    472 páginas
    15h 44m
    ISBN-13: 9788580579550
    Português Brasileiro
    4.3
    166 avaliações
    Leram227Lendo30Querem514Relendo0Abandonos24Resenhas35
    Favoritos14Desejados514Avaliaram166

    No final do século XIX, o mundo era bem diferente de como o conhecemos hoje. Os Estados Unidos eram um jovem país em acelerado crescimento após a Guerra Civil, invenções tecnológicas apareciam a todo momento e muitas partes do globo ainda continuavam completamente inexploradas. Entre elas estava o Polo Norte. George Washington De Long, jovem tenente da Marinha americana, ficou obcecado pelo Ártico após retornar de uma viagem de resgate na costa da Groenlândia. Inspirado pela teoria amplamente difundida (embora pouco fundamentada) de que haveria águas quentes e navegáveis no topo do planeta, permitindo talvez a existência de terras e até mesmo civilizações perdidas, De Long traça um plano minucioso para alcançar esse local desconhecido. No mesmo período, James Gordon Bennett Jr., o rico e excêntrico proprietário do New York Herald, em busca de uma história que gere comoção nos leitores, decide patrocinar a expedição de De Long. Com a ajuda financeira do magnata, o navegador encontra e reforma o navio perfeito para a aventura e tem acesso aos mais variados equipamentos, a cartas de navegação e a círculos políticos, conseguindo todo o apoio necessário para a jornada. Em 8 de julho de 1879, De Long e uma tripulação de 32 homens zarpam de São Francisco no USS Jeannette com o ambicioso objetivo de alcançar o Ártico pelo estreito de Bering, em vez da até então conhecida rota ao longo da costa da Groenlândia. No entanto, apenas dois meses após a partida o Jeannette fica totalmente preso a uma enorme banquisa, e assim permanece por quase dois anos, flutuando ao sabor da maré em meio ao oceano congelado. Quando, na primavera de 1881, parece que o navio finalmente se libertará de sua prisão, um violento choque com um bloco de gelo força os homens a abandonarem a embarcação. Horas mais tarde, o Jeannette afunda, e sua tripulação se vê obrigada a vencer a pé e em pequenos botes os mil quilômetros de oceano congelado que a separam do norte da Sibéria e da frágil tentativa de sobrevivência. Enfrentando os terríveis efeitos do frio e da neve, a fome, ferozes ursos polares e labirintos de gelo, a tripulação segue rumo a um destino incerto. Com reviravoltas impressionantes, No reino do gelo é uma fascinante história de heroísmo e determinação num dos locais mais implacáveis do planeta.

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    Resenhas (35)Ver mais
    Régis Maz picture
    Régis Maz14/11/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Uma expedição que demorou para começar

    Estava ansiosa para iniciar essa leitura e me aventurar pela trajetória marítima rumo ao reino do gelo, abraçar a aventura em busca da conquista do Polo Norte. Mas logo nas primeiras páginas percebi que o livro seguiria por um caminho diferente do que eu estava imaginando. Apesar de sempre apreciar introduções que apresente uma  contextualização abrangente dos personagens, acho que o autor se prolonga em excesso. Quando percebi, já estava passando da página cem e nada realmente havia acontecido. A narrativa permanecia presa à biografia dos envolvidos e às excentricidades do milionário financiador. Senti que o autor poderia ter condensado tudo isso em menos páginas, como faz Alfred Lansing em A Incrível Viagem de Shackleton, cuja introdução é envolvente sem perder o senso de movimento; sentimos que a aventura está sempre prestes a começar. Em No Reino do Gelo, tudo parece estagnado no início. Antes que o navio Jeannette sequer partisse rumo ao Ártico, já haviam se passado mais de cento e cinquenta páginas. Entre Washington, São Francisco, Paris e Londres, acompanhamos preparativos intermináveis, descrições de hotéis, listas de equipamentos e personalidades políticas e científicas. Para quem espera a emoção do relato de uma jornada marítima em busca do desconhecido, esse início se torna exaustivo. No decorrer da leitura, fui percebendo que No Reino do Gelo não era exatamente o que eu imaginei antes de iniciar o livro. A promessa de uma narrativa sobre a trágica expedição do Jeannette dá lugar a uma crônica jornalística ampla, que abarca os bastidores, os financiadores, as esposas, os navios de resgate e até as especulações da imprensa sobre o destino da tripulação. Além disso toda vez que a narrativa se aproximava do navio de De Long e de seus homens, o autor desviava o foco para outro ponto da história. Aceitei, então, que o livro não se propunha a narrar apenas a viagem em si, mas a pintar um vasto retrato histórico da era das grandes explorações e do papel dos Estados Unidos nessa disputa polar. O Jeannette levava consigo não apenas homens e provisões, mas também transportava as aspirações de um país jovem ansioso por se afirmar como potência mundial. A arrogância que estava no âmago do empreendimento era reflexo de sua época, e Hampton Sides parece fascinado por essa ideia. Apesar de não ser o que eu esperava desse livro, acabei aceitando e gostando da narrativa, e, quando chega à parte que envolve de fato a expedição do Jeannette, foi fascinante e aterrador ler o relato de tudo que os tripulantes da embarcação passaram em mar e terra. Então, apesar da longa apresentação dos personagens e dos preparativos do início, eu gostei do livro. Mas queria amá-lo. No entanto, não foi possível. Eu esperava sentir a alma da expedição, o medo, o frio, a amizade e o heroísmo que nascem em meio à adversidade desde o início, mas isso demora “um pouco” para acontecer. A narrativa, de qualidade jornalística impecável, traz partes emocionalmente distantes. No início, faltou vida. Faltou o calor humano que A Viagem de Shackleton e No Coração do Mar possuem em cada página. Talvez minha comparação seja um pouco injusta, mas o erro foi meu por ter imaginado uma narrativa diferente e criado expectativas errôneas sobre essa história. Apesar das expectativas equivocadas e da comparação inevitável com outras obras do gênero, ainda assim consegui me adaptar e aproveitar o livro pelo que ele realmente é: uma análise minuciosa, informativa e abrangente sobre a busca pela conquista do Ártico e o espírito de uma época. Adorei ter ganhado esse livro de alguém muito especial e, mesmo que ele não tenha sido as cinco estrelas que eu esperava, terminei a leitura muito grata pela jornada, e muito mais feliz do que iniciei. No Reino do Gelo pode não ter me arrebatado, mas me fez refletir sobre a diferença entre uma aventura vivida e uma aventura apenas contada, e como, às vezes, o coração da história se perde em meio ao gelo, mas ainda assim é capaz de te conquistar no final. Obs.: Creio que o livro talvez possa vir a ser um cinco estrelas para quem já conhece sua sinopse e não crie expectativas como eu criei de acompanhar uma grande expedição marítima, em que a narrativa permaneça mais tempo a bordo do navio, no meio do mar, permitindo-nos participar de forma intensa de todos os acontecimentos.

    47 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 166
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas1%
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    Wade Hampton Sides

    Hampton Sides nasceu em Memphis, no Tennessee, Estados Unidos. Formado pela Universidade de Yale, é editor da revista Outside e contribui frequentemente para a National Geographic. Por seu trabalho como jornalista, foi indicado duas vezes ao National Magazine Awards. Além de No reino do gelo, publicou outros quatro livros, todos obras de não ficção sobre aventuras em guerras ou relatos de expedições, que se tornaram best-sellers. Casado e pai de três filhos, Hampton divide seu tempo entre o Novo México, onde mora com a família, e o Colorado, onde é professor de narrativa de não ficção na Colorado College.

    13 Livros
    0 Seguidor
    Tennessee, EUA

    Wade Hampton Sides