Os romances de Phyllis A. Whitney costumam se apoiar em dois pilares: suspense e entrecho romântico. Aqui ela acrescenta um terceiro pilar equilibrando o livro: o embate entre as duas principais personagens, mãe e filha. É verdade que as relações familiares em seus romances não costumam ser tranqüilas, e mãe e filha aparecem em conflito em, pelo menos, dois outros que li. Mas neste "Uma Voz na Penumbra" o subtema torna-se mais dramático e interessante, pois ora tomamos partido de uma, ora o de outra - e ora ficamos confusas.
O fato é que ela conseguiu focar com sucesso a relação tempestuosa entre as duas mulheres, e de quebra apresentar uma de suas melhores tramas de suspense no que toca à atmosfera - desde o início, com a heroína assistindo no cinema o filme estrelado por sua mãe durante o qual aconteceu um crime - até boa parte do desenvolvimento.
As falhas acham-se na solução do mistério - que soa um tanto forçada, artificial - e no fato da subtrama romântica acabar sendo algo secundário. Ainda assim, considero este romance de Whitney quase tão bom quanto o meu favorito dela, "O Mistério de Collumbella". Quem aprecia suspense, mistérios, sustos, e diálogos tensos e bem dosados - no caso, entre a protagonista e a mãe, figura ambígua - vai gostar de "Uma Voz na Penumbra".