Seria muito pedante da minha parte classificar de qualquer outra maneira as tragédias clássicas de Ésquilo. Embora muito poucas tenham chegado inteiras até nós (ele viveu na glória de Atenas, entre 525 e 456 a.C.), o dramaturgo grego foi um dos expoentes de sua geração, e trouxe aos palcos atenienses representações mitológicas de extremo apelo político e social.
Este volume, da editora espanhola Gredos, é um compêndio de suas peças mais famosas - exceto "As Suplicantes" que, embora o prefácio de Francisco Rodríguez Adrados faça alusão, acabou não sendo incluída na impressão. Uma pena.
O compêndio reúne as seguintes obras, portanto: Os Persas, Sete Contra Tebas, a trilogia Oresteia (Agamêmnon, As Coéforas e As Eumênides) e Prometeu Acorrentado. Todas as peças tratam de figuras do passado mitológico grego, o passado pré e pós-Homérico, e reforçam as crenças do próprio autor na democracia ateniense (sendo ele um demócrata confesso) e circundam vários temas complementares.
Ésquilo fala da justiça e da injustiça, da vingança e da morte. É o precursor de Sófocles e Eurípides, que plantará uma das sementes que contestará a crença nos deuses olímpicos. Mas, acima de tudo, Ésquilo tratará de temas extremamente humanos.