The original uncut edition of STRANGER IN A STRANGE LAND by Hugo Award winner Robert A Heinlein - one of the most beloved, celebrated science-fiction novels of all time. Epic, ambitious and entertaining, STRANGER IN A STRANGE LAND caused controversy and uproar when it was first published and is still topical and challenging today. Twenty-five years ago, the first manned mission to Mars was lost, and all hands presumed dead. But someone survived... Born on the doomed spaceship and raised by the Martians who saved his life, Valentine Michael Smith has never seen a human being until the day a second expedition to Mars discovers him. Upon his return to Earth, a young nurse named Jill Boardman sneaks into Smith's hospital room and shares a glass of water with him, a simple act for her but a sacred ritual on Mars. Now, connected by an incredible bond, Smith, Jill and a writer named Jubal must fight to protect a right we all take for granted: the right to love.
Stranger in a Strange Land -
Robert A. Heinlein
Edições (2)
Ver maisReler Stranger in a Strange Land de Robert A. Heinlein pela terceira vez, agora no original foi uma experiência bastante curiosa. Cabe dizer que li 80% no original e os últimos 20% na versão traduzida da Aleph mais os textos de apoio, o que me permitiu sentir melhor o impacto da tradução e me aproveitar dos textos que são muito úteis para entender alguns pontos O texto original é bastante fluído e não deve oferecer muita dificuldade, mesmo para quem está começando a ler nesse idioma, nada que um dicionário e paciência não resolvam. A prosa de Heilein é leve e divertida mesmo nos momentos em que se aprofunda a temas mais densos. Cabe dizer que o texto original é mais ambíguo, coisa que as duas traduções disponíveis por aqui meio que tiram da obra. Talvez a grande advertência que deve ser feita ao ler Stranger in a Strange Land é a de que é um texto satírico e provocativo. Em vários momentos a impressão que fica é que Heinlein utiliza a lógica do absurdo para fazer o leitor questionar o status quo. Isso fica muito claro em pelo menos uma fala da personagem Jill onde temos várias camadas: o autor ser um homem do seu tempo, a fala não ser exatamente estranha na boca de uma mulher (infelizmente) e a ambiguidade original que é muito suavizada na tradução. Apesar do texto ser muito provocativo para sua época, provavelmente leitores atuais vão se pegar questionando o machismo do texto, (novamente é preciso situar o autor em seu tempo) e o fato de que fora uma ou outra prática mais ousada a comunidade da Igreja de Todos os Mundos é bem conservadora e até careta. Porém a ambiguidade da obra deixa margem a imaginar que o autor se conteve. Se é certo que os relacionamentos são estritamente heterossexuais fica implícito a latente homoafetividade ou mesmo pansexualidade presente. É algo muito sutil, mas aqui e ali está sugerido. Vale lembrar que todas as falas sobre limites provém dos personagens humanos, notadamente de Jill. Heinlein satiriza os três pilares da nossa civilização e bate sem dó na hipocrisia reinante, o fato de se focar na sociedade estadunidense e considerando o quanto importamos de sua cultura faz com que as críticas também nos sejam muito pertinentes. A definição de Jubal sobre democracia é impecável e nos chama a atenção para os perigos de desprezar algo sem ter algo melhor para substituir. A sátira à religião provavelmente será um dos pontos que mais vai incomodar as pessoas, ainda que (o que provavelmente vai passar batido para os fundamentalistas) Heilein não está batendo na fé em si. Por meio de Jubal ele não descarta a ideia de uma deidade ou da necessidade da crença, o que faz é criticar veementemente o uso dessa necessidade para a manipulação e enriquecimento, bem como a hipocrisia de proibir práticas aos fieis enquanto os eleitos as praticam. Ainda no tema religião por mais que o autor faça um mix das mais diversas crenças é gritante que a vertente cristã tem um certo destaque, o que seria meio óbvio já que a obra crítica a cultura ocidental, principalmente a estadunidense. Que Michael é um tipo de messias não deveria passar desapercebido para os leitores, mas Heinlein parece ter querido se certificar de que o paralelo seria entendido, a apoteose do personagem não deixa dúvidas da intenção do autor. Vale dizer entretanto que longe de satirizar a figura de Cristo o autor está criticando seus pretensos crentes, não tenho a menor dúvida de que se alguém pregasse amor incondicional hoje em dia teria o mesmo fim. A crítica aos papeis de gênero talvez seja a parte mais controversa e ambígua da obra. Se em muitos pontos o autor vai soar machista e conservador em outros vai propor uma liberdade para a mulher e uma valorização que até hoje em dia é questionada. Principalmente quando nos encaminhamos para o fim nota-se uma certa igualdade entre os gêneros, ao contrário dos Fosteristas por exemplo na igreja de Mike a mulher não é submissa, ainda que eventualmente pareça ceder. Aliás cabe dizer que essa dinâmica perpassa toda a obra seja nas secretárias de Jubal seja na figura de Madame Vesant ou de Mrs Douglas, em contraponto a algumas falas machistas de Jill existe um empoderamento feminino muito claro, são elas que definem os rumos da trama em mais de um momento. Um ponto que talvez passe batido, mas também é um dos pilares da obra é a discussão do que seja Arte e do seu papel para a Civilização. Seja na discussão da obra inacabada em Marte, seja nas discussões de Jubal sobre arte e literatura ou até mesmo nos rituais da Igreja de Todos os Mundos a importância da Arte e de como ela enriquece uma civilização e lhe permite interpretar o mundo tal como a religião se propõe, está ali. Heinlein não se furta inclusive de criticar a literatura massificada de entretenimento e a televisão o que dá margem para pensar o que ele acharia de nossos dias com redes sociais e informação atomizada. Em dado ponto quando comenta das colunas de Ben, Jubal é quase profético em criticar os sites de fofoca e o excessivo consumo de junk information atuais. Em suma Stranger in a Strange Land de Robert A. Heinlein é um texto provocativo, satírico as raias do absurdo, não é um livro que vá agradar a todos, principalmente se for lido de forma literal.
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