Desperdício de papel (publicado originalmente em http://ohomem.wordpress.com/2009/02/02/critica-literaria)
A câmera que minha mãe me deu, Susanna Kaysen, Imago, 2002, 2001, 152; tradução de Marcos Santarrita. Não quero perder tempo com esse. Resumidamente, a mulher fala do seu problema com a vagina, que dói até para andar e piora com a tensão. Não pode transar — o livro transcorre o tempo de dois anos — e, de ginecologia a biorretroalimentação, não sara. Uma história sem sal que gira em torno de um órgão genital incapacitado e uma mulher que tenta sê-lo além da sua vagina. Devia conhecer a máxima atribuída a John Witherspoon antes de ler: “Nunca termine a leitura de um livro apenas porque a começou.” Não entendi o título escolhido (“câmera” não parece uma boa conotação para vagina) e, pior, só reparei no que representa a imagem da capa quando fui tirar a foto dela para esta crítica — já deu para perceber que não sou atento a detalhes. TRECHO "Não separe a mente do corpo. Não separe nem o caráter — não é possível. Nossa unidade de existência é um corpo, uma entidade física, tangível, sensível, com percepções e reações que o manifestam e o formam ao mesmo tempo. A doença é uma das nossas linguagens. Os médicos entendem o que a doença tem a dizer sobre si mesma. Cabe à pessoa com a doença entender o que a doença tem a lhe dizer. Minha vagina continua querendo chamar a minha atenção. Tem uma coisa importante a me dizer. Estou escutando. Continuo escutando." Suma: Não fede nem cheira (sem trocadilhos) e tem um posfácio (transcrito) que passa uma mensagem bonita.
