Em muitas obras de hooks, ela fala da urgência de pessoas, especialmente pessoas negras, criarem uma autoestima saudável — Rock My Soul: Black People and Self-Esteem é um desses livros.
hooks questiona o foco em ganhos materiais como parâmetro para pessoas negras a se verem com bons olhos, quando inúmeros negros de todas as classes vive com uma noção de si mesma tão machucada. A saúde mental de pessoas negras é abalada desde a escravidão, em que negros e negras foram sequestrados para o Novo Mundo, escravizado nessas terras em que foram submetidos a inúmeras torturas e exploração, até os tempos atuais, em que pessoas negras passam por encarceramento em massa e abuso policial.
Claramente, todas as pessoas devem cultivar uma boa autoestima, mas o foco em pessoas negras vêm da urgência desse grupo em assumir que ainda sofrem e ainda estão sendo feridos — por razão de serem negros e por outras razões que são aumentadas por serem negros.
hooks urge pela cura de corações quebrados, homens e mulheres que endureceram seus corações para não se machucarem tanto no decorrer da vida, crianças e adolescentes que cortam relações emocionais com outros, crianças negligenciadas, adultos solitários, adolescentes entorpecidos. hooks vê um vazio na população negra que clama por ser preenchido — e por não saber como preencher, muitas vezes acabam o preenchendo com vícios, raiva, entorpecimento, violência.
Segundo ela, a única forma de reabilitação é através do amor — incluindo o amor próprio e amor aos outros.
A saúde mental de negros e negras foi há muito tempo negligenciado e isso precisa acabar.
Felizmente estão mais frequentes a discussão dos danos que viver em uma supremacia branca pode causar na psique de pessoas negras, assim como a supremacia branca pode expandir os danos de questões não relacionadas a raça.
E como diria Audre Lorde:
“Cuidar-se não é indulgência. É auto-preservação e e resistência.”