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    A leitura, outra revolução -

    María Teresa Andruetto

    Edições Sesc
    2017
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788594930088
    Português Brasileiro
    4.3
    25 avaliações
    Leram31Lendo4Querem41Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos2Desejados41Avaliaram25

    Esta obra reúne uma série de palestras e conferências sobre literatura infantil proferida por María Teresa Andruetto nos anos 2000, todas elas ligadas ao livro, à leitura, à poesia e à linguagem. Para a autora, a questão não é se hoje em dia existem mais ou menos leitores, mas o que fazer para melhorar a qualidade de leitura, uma tarefa que envolve não só as famílias e as escolas, mas espaços de leitura, onde podemos desenvolver uma consciência sobre nós mesmos, e também escritores e editores que, por meio de seus trabalhos, criam um ou outro tipo de leitor, dependendo de como resistem ou cumprem a demanda de não disponibilizar para a sociedade um único dizer.

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    Gustavo Albuquerque picture
    Gustavo Albuquerque14/10/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Construção da identidade, ponto de ancoragem

    Ler é um ato de resistência e a literatura é uma zona de transformação. Maria Andruetto, no conjunto dos artigos que compõe esse livro, demonstra com muita sabedoria o movimento contínuo do individual ao social que constitui os processos interligados de escrita e leitura. Por muito tempo considerado um privilégio para poucos, o ato de ler esteve intimamente ligado a uma classe social. Nesse "direito à literatura", as elites negaram o acesso à leitura e obstacularizaram novos caminhos de conhecimento a um grande extrato da sociedade. "Poder olhar-nos na trama do que nos precedeu e reconhecer nela aspectos próprios constrói nossa identidade e nos sustenta." É a leitura que nos permite ter memória, que nos permite entender o cruzamento de forças e de lutas, dialogar com zonas refugiadas ainda invisíveis. Nesse sentido, Andruetto nos aponta como as palavras tiram as coisas do esquecimento e as põem no tempo. Nessa dinâmica, a leitura se faz revolucionária, pois é através dela que somos capazes de alcançar o entendimento de que mesmo em nossos aspectos mais privados, fazemos todos parte de um passado comum de compartilhamento de signos e sentidos e que, portanto, não há futuro individual separado do futuro de todos. Num país com aspectos muito complexos, que incluem tanto o desejo de integração, quanto o desejo de destruição do outro, só é possível dirimir as diferenças e abarcar acordos sociais que incluam todos quando percebermos que, mesmo afetados e atravessados de maneiras distintas por determinados fatos, não somos alheios ao mundo, mas fazemos parte do tecido social com nossas ideias, experiências e sentimentos. "A confluência entre uma casa e o mundo, entre o íntimo e o público, permite ver, como na cena/umbral que os gregos criaram, de que modo as decisões, ações e omissões políticas, econômicas e sociais intervêm em nossas vidas [...] Compreender como o liberalismo, a ditadura, a guerra vão provocar um mal-estar em lugares insuspeitos de nossos mundos pessoais."

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