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    Poemas (Coleção Folha Mulheres Na Literatura #17) -

    Florbela Espanca

    Folha de S. Paulo
    2017
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788579493478
    Português Brasileiro
    3.7
    84 avaliações
    Leram124Lendo7Querem101Relendo0Abandonos2Resenhas13
    Favoritos6Desejados101Avaliaram84

    Florbela de Alma da Conceição Espanca é um fulgurante mistério da poesia portuguesa. Seus primeiros livros foram publicados no início do século 20, quando o simbolismo dava os últimos suspiros e as vanguardas eclodiam em Lisboa, trazendo à luz Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Mario de Sá-Carneiro. Nemantigos nem modernos, os versos de Florbela continham um verbo tão firme e inclassificável que acabaram levando-a às portas do tempo novo. Com eles, a poeta descerrou para a literatura portuguesa esse mundo então pouco conhecido, muitas vezes ocultado, do desejo feminino, que ela chama simplesmente de "amor". Trafegando entre os "reinos da Ansiedade" e o "mar de chamas", Florbela deixou soar sem acanhamento todos os impasses desse desejo encarando na poesia: a dor e o júbilo, a confissão e o apelo, a expectativa e a inquietude, o desalento e a intensa expressão da sensualidade - justamente o que mais perturbou a critica conservadora, que tentou, em vão, silenciar essa poeta pioneira e audaciosa, de "cabeleira desatada". Alcino Leite Neto Editor Três Estrelas

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    Taiane  picture
    Taiane 08/09/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Belo e depresivo

    Não sou leitora assídua de poemas. Então não tenho experiencia necessária para fazer uma analise profunda. Mas o que posso dizer que os poemas da Espanca são de uma profundidade imensa. Essa é a primeira vez que eu me vi pressa (de verdade!) a poemas. Não foram todos, claro. Tem alguns cuja temática religião e sobre Portugal que não me prenderam tanto. Mas tem outros, principalmente na primeira e na terceira partes, que a Espanca fala sobre ela (e todo o sofrimento que passou, com a perda de familiares, falta de reconhecimento para o seu trabalho, fofocas - aparentemente houve rumores de relação incestuosa entre ela e o irmão - e casamentos fracassados. Todo esse sofrimento está imprimido nos textos dela. Não tem como não se emocionar. Vou deixar aqui abaixo, um dos textos dela que mais me impactou. TÉDIO Passo pálida e triste. Oiço dizer "Que branca que ela é! Parece morta!" E eu que vou sonhando, vaga, absorta, Não tenho um gesto, ou um olhar sequer... Que diga o mundo e a gente o que quiser! -O que é que isso me faz?... O que me importa... O frio que trago dentro gela e corta Tudo que é sonho e graça na mulher! O que é que isso me importa?! Essa tristeza É menos dor intensa que frieza, É um tédio profundo de viver! E é tudo sempre o mesmo, eternamente... O mesmo lago plácido, dormente... E os dias, sempre os mesmos, a correr... Quem já sofreu de depressão, com certeza encontrará a si mesmo nessas palavras...

    11 curtidas

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    Avaliações

    3.7 / 84
    • 5 estrelas27%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas5%
    Florbela Espanca profile picture

    Florbela Espanca

    Mesmo antes de seu nascimento, a vida de Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum. Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam. Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca. O pai de Florbela foi em 1900 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Florbela, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa. Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos. Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, fazendo com que a família se desloque para essa cidade. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia de seus 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos. O casal mora em Redondo até 1915, quando regressa à Évora devido a dificuldades financeiras. Eles passam a morar na casa de João Maria Espanca. Sob o olhar complacente de Florbela ele convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta de Almeida, a então empregada. Voltando a Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão o Livro de Mágoas e o Livro de Soror Saudade. Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois. Em junho de 1919 sai o Livro de Mágoas, que apesar da poetisa não ser tão famosa faz bastante sucesso, esgotando-se rapidamente. No mesmo ano passa a viver com Antônio Guimarães, casando-se com ele em 1921. Logo depois Florbela passa a trabalhar em um novo projeto que a princípio se chamaria Livro do Nosso Amor ou Claustro de Quimeras. Por fim, torna-se o Livro de Soror Saudade, publicado em janeiro de 1923. Após mais um aborto separa-se pela segunda vez, o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em Lisboa uma agência, “Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981, ano do falecimento do ex-marido. Ao todo são 133 recortes. Em 1925 Florbela casa-se com Mário Lage no civil e no religioso e passa a morar com ele, inicialmente em Esmoriz e depois na casa dos pais de Lage em Matosinhos, no Porto. Passa a colaborar no D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o Charneca em Flor. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos, provavelmente O Dominó Preto. No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em um trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se à produção de As Máscaras do Destino, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido. Começa a escrever seu Diário de Último Ano em 1930. Passa a colaborar nas revistas Portugal Feminino e Civilização, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar Charneca em Flor. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar o suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar. Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”. FONTES: http://www.instituto-camoes.pt/cvc/projtelecolab/tintalusa/ numerodois/tl3.html http://purl.pt/272/2/index.html http://www.torre.xrs.net/ Coleção “A Obra Prima de Cada Autor” – Editora Martin Claret

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    Alentejo, Portugal

    Florbela Espanca