O Julgamento de Otelo, o mouro de Veneza - direito e literatura: edição comemorativa Shakespeare 400 anos

    Daniel Ribeiro Surdi de Avelar (Coordenador)

    Empório do Direito
    2017
    242 páginas
    8h 4m
    ISBN-13: 9788594771117
    Português Brasileiro

    Não é essa a primeira vez que Otelo é julgado em terras paranaenses e, com certeza, não será a última. O histórico julgamento de 1961 foi sucedido por uma nova sessão em 2011 – ambos realizados no Teatro Guaíra de Curitiba – e, em 2016, mesmo após dois éditos absolutórios, a saga de Otelo voltou a ser apreciada na capital paranaense. O local escolhido desta vez foi o plenário do Tribunal do Júri de Curitiba. Portanto, força é convir que o julgamento de 2016 marcou a história do Tribunal Popular. A ênfase ao local é devida a dois aspectos que desta vez se entrelaçaram: a abordagem da literatura shakespeariana, a qual é considerada como a maior fonte de conteúdo humano, uma vez que transcende o exercício da eloquência poética, e a discussão dos conflitos e tensões humanas quando elevados ao extremo, justamente no local onde todos os dias isso ocorre, porém com personagens da vida real. Ademais, insta mencionar que o julgamento de 2016 teve como objetivo o júbilo dos 400 anos de Shakespeare, a promoção do direito, da arte e da cultura não apenas à comunidade acadêmica e jurídica, mas a toda sociedade curitibana, e principalmente, o incentivo à ação social, haja vista que os recursos auferidos foram convertidos em doação à Penitenciária Feminina do Estado Paraná. Cabe mencionar ainda que se o Julgamento de Otelo foi possível em tempos hodiernos, e também o poderá ser no futuro, isso é graças ao brilhantismo e à alma poética de Munir Karam, que não apenas foi o grande idealizar do primeiro julgamento em 1961, mas também muito contribuiu para que pudéssemos realizar a empreitada de 2016. Por fim, revela-se que, enquanto organizávamos as atividades do julgamento de Otelo, eis que surgiu a ideia de não apenas registrarmos o seu resultado, mas, sobretudo, as impressões acerca da peça shakespeariana escolhida, e sua compreensão por meio de uma abordagem literária, bem como da sua interlocução com o direito, e isso a partir das reverberações de importantes nomes da literatura e do direito. Destarte, esse foi o alvorecer da presente obra. Palavras do coordenador Daniel Ribeiro Surdi de Avelar O JULGAMENTO DE OTELO, O MOURO DE VENEZAAPOIO: Escola da Magistratura do Paraná e Luiz Carlos Centro de Estudos Jurídicos

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    Paulo Silas Taporosky Filho23/12/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Reunindo abordagens jurídicas tantas sobre a obra de Shakespeare, mais precisamente com o enfoque em "Otelo", a obra "O Julgamento de Otelo, o Mouro de Veneza: direito e literatura: edição comemorativa Shakespeare 400 anos" traz uma série de artigos que relacionam o direito à literatura shakespeariana por diversas perspectivas. Partindo do jurídico como o âmbito da análise que se faz, a peça de Shakespeare é abordada por diferentes vieses, uma vez que a quantidade de autores que contribuem para com a obra possibilitam uma notória amplitude de leituras de "Otelo". Dentre as tantas abordagens que estão presentes no livro, mencionam-se algumas. Jacinto Nelson de Miranda Coutinho aborda a verdade que Iago forja na obra, convencendo Otelo daquele falso constructo, levando essa observação para refletir o modo pelo qual a palavra cria a verdade a fim de que se evidencie a cautela necessária para com as consequências desse fenômeno. Alexandre Morais da Rosa evidencia o modo pelo qual Otelo tomou sua decisão final, convencendo-se das exposições de Iago, estando, portanto, premido por emoções, de modo que propõe uma leitura do processo de tomada de decisão pela perspectiva da teoria dos jogos. Priscilla Placha Sá aborda o Dilema de Desdêmona por uma leitura feminista, chamando a atenção, a partir do crime praticado por Otelo contra Desdêmona, para questões como o feminicídio, a misoginia e o machismo existentes na sociedade. André Peixoto de Souza contextualiza a obra de Shakespeare com o período renascentista e a música que vigorava à época. Marion Bach traz reflexões sobre a intersecção entre direito e literatura , evidenciando que a construção de narrativas se trata de uma arte. Essas e muitas outras abordagens constroem ricamente o livro. O livro mostra que interlocuções bem feitas, entre direito e literatura, sobre uma mesma obra, mesmo que diversas sendo as abordagens, podem ser proveitosas e muito bem trabalhadas, resultando em trabalhos que lançam luz a um determinado livro, que se pode dizer atemporal, e possibilitando que várias leituras e releituras ensejem nas mais variadas reflexões. E é disso que o livro está repleto: abordagens sérias e salutares pela via do direito a partir de "Otelo", de Shakespeare. Um ótimo livro que contribui para o movimento "Direito e Literatura".

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