Depois de um primeiro livro muito bom e um segundo praticamente perfeito, eu tinha altas expectativas para esse último. A autora conta a história desde o começo com duas linhas do tempo, e eu estava louca para descobrir como elas se encontrariam e qual seria a solução da autora para um problema que eu conseguia antecipar desde o anterior. Afinal, ela não o solucionou, só deixou que acontecesse, o que, para mim, acabou tirando um pouco do impacto dessa escolha de narrativa dela. Ainda é um livro muito bom, foi um final digno, mas eu tenho algumas ressalvas para comentar.
Quando as duas narrativas ainda estavam bem distantes uma da outra, elas funcionaram muito bem. Teoricamente, o leitor já sabe algumas coisas que vão acontecer, mas outras a autora conseguiu esconder bem e isso movimentou a narrativa principal, que é a do passado. Mas neste livro as duas narrativas se aproximam demais, ou seja, a do passado chega bem perto do começo da do presente. Nisso, praticamente todos os conflitos do passado perderam a força. Eu já não estava mais animada para ver o que ia acontecer, porque eu já sabia o que ia acontecer. Tudo bem que eu não sabia todos os detalhes, mas sabia o grosso e já foi o bastante para eu desanimar dos capítulos mais longos.
Em compensação, fui ficando cada vez mais animada pelos capítulos do presente, mas eles ainda são bastante curtos e quase resumidos nesse livro, como eram no começo. Eu estava intrigada para ver como a autora iria resolver esse problema de uma narrativa perder a força e a outra ganhar, achei que ela fosse fazê-las se encontrarem bem antes para então poder focar só na resolução da série pelo ponto de vista da Tea. Era como eu queria que tivesse sido, mas ela se prendeu ao mesmo estilo até o final e acabou que o clímax foi bem anti-climático.
Tem outra coisa que me incomodou nas duas narrativas nesse livro: elas são muito parecidas. Os acontecimentos, os exércitos involvidos e tudo o mais são quase iguais e paralelos demais, a ponto de eu ficar confusa e sem conseguir me importar com o que ia acontecer. Aliás, toda a criação de shadowglass e os segredos por trás também deram milhares de voltas, como as motivações dos vilões e personagens secundários, o que ficou extremamente confuso. A autora sempre demonstrou um controle e uma criação absoluta de seu universo, mas acho que essa questão do shadowglass deixou vários buracos. E o problema, na minha opinião, foi que ela não quis fazer a Tea assumir uma posição de vez e foi só evitando tomar uma decisão e tentando se esquivar, criando novas exceções e possibilidades que deixaram tudo mais imrpovável e menos conviencente. No final, ficou confuso e fraco.
Claro que o livro ainda teve bastante coisa boa. A Tea é uma personagem excelente, adorei que a autora deu espaço para uma personagem trans (apesar de eu não ser uma pessoa tão boa para dizer se foi uma representação problemática, não me pareceu) e o romance é bem apaixonante ainda. Tem uma grande revelação que eu consegui prever, infelizmente, mas teve outra interessante também. Pena que a motivação dos personagens ficou incerta e confusa como o shadowglass, assim como os "vilões" e por que eles eram considerados os "errados".
É estranho o último livro da trilogia ser o mais confuso dela, não é? Eu já conhecia o universo e os personagens, já sabia suas lealdades e prioridades, mas são várias pessoas involvidas e os conflitos e segredos não ajudaram a criar um objetivo certo e principal, pelo menos, não na narrativa do passado. Na do presente, tudo estava bem mais definido, mas ela aparece só entre capítulos da outra e em pouquíssimas páginas. É bem por isso que eu queria que a autora tivesse dado prioridade para ela dessa vez.
Eu ainda recomendo bem a trilogia, a escrita de Rin Chupeco ainda é ótima e sua criação de mundo, excelente. Estou animada para a próxima série dele e sempre vou guardar Tea e Fox em meu coração com muito carinho! Mesmo assim, minha nota verdadeira é de 3,5.