Those two words, God and Good, are only one letter apart in the English language, she said. So maybe, when we pray in the morning, if you dont want to think of God, you might try thinking about being Good. About doing Good. Yes? [
] I dont mind if you have no faith in religion, Viji. Just as long as you have faith in the goodness within yourself.
Meu pai comprou esse livro, provavelmente para aprender inglês, e eu já fiquei de olho nele, por ser um livro capa dura e bonito. Resolvi encaixá-lo no desafio de uma cultura que não eu não esteja familiarizada, por ser passar na Índia, e li ele de uma vez só.
Gostei da história. Gostei da forma como ela prosseguiu, apesar de eu achar que ela foi um pouco corrida em alguns momentos, principalmente no começo. Depois, a autora conseguiu encontrar um ritmo melhor, e a história fluiu muito bem para mim.
Apesar de eu ter gostado, não acho que esse deveria ser o primeiro contato de alguém com a cultura indiana. Ele possuiu elementos bacanas, como o glossário no início dizendo o significado de algumas palavras que aparecem na história, e mostra várias comidas típicas. Mas, não sei se estou vendo pelo em ovo, eu acho que facilmente essa história pode ser distorcida, para reforçar estereótipos e preconceitos. Entendo que é um retrato da Índia, tanto é que a autora comenta nas notas finais que essa história é baseada em relatos de crianças que ela conheceu junto com a sua mãe, mas, não sei, creio que se tornou um prato cheio para reforçar essa visão ruim do país.
Não que eu tenha alguma autoridade no tema, claro! Eu peguei esse livro para entender mais da cultura indiana, já que eu conheço pouco ou quase nada. Acho que eu tinha uma esperança de ver essa cultura por olhos mais romantizados, ou que valorizavam mais esses elementos, e por isso a falta deles, e mostrando coisas que eu já sabia me incomodou um pouco.
E, com coisas que eu já sabia, é, no caso, o cristianismo. Eu deveria ter suposto que essa seria um parte importante na história, já que meu pai é cristão, mas esse foi um dos aspectos que menos gostei do livro. Sei que a Índia possuiu uma cultura religiosa enorme, com o hinduísmo, que poderia ter sido abordada na história, sem ter que puxar para o cristianismo. Óbvio, a autora não é obrigada a colocar esses elementos, provavelmente ela é cristã e ela tem todo o direito de colocar as suas crenças na história. Mas, de novo, eu li esse livro querendo entender mais sobre a cultura indiana, e esse aspecto não foi bacana para mim.
É, realmente, um refresco, saber que a Viji, a personagem principal, também não acredita em nada disso -tanto no hinduísmo quanto no cristianismo-, justamente por causa das coisas que aconteceram em sua vida. Apesar de ser uma personagem jovem, ela sofreu muito, e carrega grande peso dentro de si, mesmo sendo a irmã mais nova. É ela que narra a história, e é inevitável se conectar com ela, com as suas lutas e suas vivências, e ver ela bem no final me deixou muito feliz.
Gostei também muito do Muthu e do Arul, a forma com que, apesar de terem passado algum tempo na rua, ainda são crianças inocentes que lutam pelo melhor para si. Mesmo sendo o centro do aspecto que menos gostei na história, Arul foi um personagem doce, gostoso de acompanhar, e eu ainda acredito que algo vai acontecer entre ele e Viji, em um futuro imaginário.
Também gostei demais da Rukku, a irmã mais velha de Viji, que possuiu alguma deficiência intelectual que não é dita na história. Não sei definir qual é a condição dela, considerando as informações apresentadas no livro, e nem tentarei, já que não sou muito a par dessa área. Senti que a representação dela poderia ter sido feita de uma forma melhor, porque, apesar de o arco ser que a Viji é toda preocupada com ela, e o Arul desconstrói isso, esses eventos acontecem muito no final da história, quando a Rukku já está adoecendo, e não vemos ela florescer muito. Apesar disso, ela é uma menina doce, que tem uma visão muito única sobre toda a situação onde eles se encontram, e eu gostaria de ter visto mais desse lado solto dela.
Gostei desse livro por causa dos personagens, e me conectei com eles. Isso contribuiu muito para eu ter gostado da leitura, e para a história ter funcionado, em sua maioria, para mim. A morte da Rukku, apesar de esperada desde que ela adoeceu, ainda doeu em mim, porque eu estava conectada aos personagens, e doeu neles também.
Mesmo sendo simples, gostei da escrita da autora, que conseguiu se encontrar na história e o problema de ritmo durou pouco. Acho que tinha vários aspectos onde a autora poderia ter escrito melhor, senti que é um livro levemente estereotipado e feito para agradar cristãos estadunidenses, com elementos já conhecidos e, na minha visão, preconceituosos. Acho que eu gostaria mais de outros livros da autora, que não possuem essa premissa de crianças sofrendo.
Acho, também, que essas histórias devem ser contadas, e que as crianças em situação de vulnerabilidade jamais teriam suas vidas vistas senão fosse por livros como esses. Mas, de novo, acho que essa não é a história para conhecer a cultura indiana, e muito menos formar as suas opiniões sobre ela, justamente porque ela apresenta pouco da cultura e perpetua com visões negativas.