A Atualidade de Auschwitz - reflexões acerca da obra <<O que resta de Auschwitz: o arquivo e a testemunha>>

    Sandro Luiz Bazzanella (organizador)

    LiberArs
    2018
    102 páginas
    3h 24m
    ISBN-13: 9788594591098
    Português Brasileiro

    "Talvez se possa dizer que a originalidade e a potencialidade de um pensador está em colocar o próprio tempo em pensamento. Agamben, homem do século XX, desenvolve a intensidade de suas reflexões na segunda metade daquele século, marcado pela experiência do pós-guerra, pela violência perpetrada nos campos de concentração e, diante de tais situações, procura diagnosticar e compreender as intrincadas relações que se estabelecem entre política, direito e economia. “Política, economia e direito se dissolvem no movimento de um caleidoscópio incoerente e multiforme” (NASCIMENTO, 2012, p. 105). O empenho compreensivo do que está acontecendo requer a constituição de uma ontologia do presente. Tarefa exigente por decorrência de um tempo em movimento, em certos contextos assistemáticos, manifestando o esforço do pensamento compreensivo por deslocamentos conceituais e teóricos. Em determinadas situações investigativas requer-se um retorno (genealogia) as categorias conceituais a partir das quais o Ocidente estrutura a dinâmica da política, da economia e do direito na contemporaneidade. É preciso investigar nos arquivos civilizatórios ocidentais (arqueologia) em busca dos conceitos e práticas consolidados e transformados em paradigmas civilizatórios. Estes intrincados movimentos colocados em curso pelo pensador italiano na composição de suas obras podem nos ajudar a compreender a (des)ordem aparente das publicações que compõe a obra Homo Sacer." (Sandro Luiz Bazzanella)

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    Paulo Silas Taporosky Filho13/12/2023Resenhou um livro
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    "A Atualidade de Auschwitz" é uma obra que reúne aquilo que traz em seu subtítulo: textos que abordam de forma reflexiva o livro de Agamben "O Que Resta de Auschwitz: o arquivo e a testemunha". Para muito além de um agrupado de resenhas críticas sobre a obra agambeniana, os artigos que compõem o livro coletivo esmiúçam criticamente alguns dos tantos aspectos ou temas presentes na obra do filosofo italiano, de modo que se tem uma espécie de continuidade das reflexões do autor a partir das abordagens constantes nos capítulos do livro, contribuindo-se efetivamente para as discussões temáticas. E um livro curto, porém, profundo. Ao longo de suas 100 páginas, divididas em 4 capítulos e mais um anexo que funciona de certa forma como um quinto capitulo, os sete autores discorrem com reflexões pontuais sobre questões como a noção de campo de concentração para Agamben e sua aplicabilidade conceitual em diversos âmbitos - inclusive no social no Brasil -, a arqueogenealogia, a presença de um tipo de nazismo velado em algumas regiões catarinenses, a figura do muçulmano e a forma como é compreendido e algumas outras, sempre com o fio condutor da referida obra agambeniana. Como bem aponta Sandro Luiz Bazzanella na introdução da obra, " é preciso investigar nos arquivos civilizatórios ocidentais (arqueologia) em busca dos conceitos e práticas consolidados e transformados em paradigmas civilizatórios", visando assim uma análise crítica e atenta do meio social em que atualmente se está inserido, pois "o mal prolifera e viceja onde os seres humanos perdem a capacidade de ação conjunta na manutenção do espaço público onde a vida humana se qualifica na construção e manutenção do mundo". Daí a importância de se estudar as analises agambenianas nesse sentido, alguns estudos esses que são reunidos dessa excelente obra social-filosófica.

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