Obra muito relevante que busca reanimar a ideia de socialismo para a contemporaneidade em suas bases éticas e pratico-políticas, buscando libertá-la do espírito industrialista que a teria desfigurado em três suposições: a do fundamentalismo econômico, a da ficção do proletariado e a da inevitabilidade histórica do socialismo.
Grosso modo, Honneth divide sua pesquisa em duas partes. A primeira, dedicada à revisitação da ideia original do socialismo, que no rastro dos ideais normativos da Revolução Francesa compromete-se com a liberdade social. A segunda, dedicada à substituição daqueles fundamentos anacrônicos por um ideário mais abstrato e amplo, capaz de salvar o socialismo, ainda que este devesse ser considerado pós-marxista e dirigido não a uma classe mas a todos cidadãos políticos.
Ainda que não deva agradar aos mais alinhados ao marxismo e que, por vezes, esse novo socialismo pareça demasiado abstrato, no que Honneth aposta para um experimentalismo histórico gradual, o pensamento que a obra desenvolve certamente ataca pontos que precisam ser debatidos na atualidade. De modo que, concorde ou discorde, o livro em si deve ser considerado uma pérola (num mar de lama).
Obs.: cada capítulo do livro encontra um resumo nos meus históricos de leitura.