Qual a diferença entre inovar e revolucionar? Ao consultarmos um dicionário, descobriremos que inovar significar tornar novo, renovar, introduzir novidade. Já revolucionar significa excitar à revolução, instigar à revolta, revoltar, revolver, causar notável mudança, transformar. Logo, são dois conceitos diferentes. No entanto, a interpretação que as empresas, na figura de seus administradores, têm dado para esses dois conceitos tem sido, na prática, a mesma. Vivenciamos um momento de grandes mudanças em todos os aspectos. O fenômeno da tecnologia da informação possibilitou que a globalização avançasse a passos enormes, tão grandes que não conseguimos no momento sequer avaliar suas reais conseqüências. Hoje, o grande desafio imposto para as empresas, sejam elas de pequeno, médio ou grande porte, está em administrar localmente com uma visão global, ou seja, com a virtual extinção das fronteiras físicas entre os países, outras barreiras além das comerciais estão sendo quebradas ou ultrapassadas. Como conviver, empresarialmente falando, nesse universo infinito em diversidades que nos é apresentado? As pequenas empresas são, nitidamente, o futuro econômico e administrativo. São mais ágeis e mais rápidas nas tomadas de decisão e podem ser mais eficientes e eficazes. A questão fundamental reside em transpormos para elas o conhecimento acumulado, desenvolvido e testado nas empresas de médio e grande porte, obviamente, fazendo um ajuste de proporções, considerando as especificidades, tendo a sensibilidade de enxergar que a administração é única, é a mesma ciência, sendo aplicada a uma transacional ou ao nosso lar. Os princípios são os mesmos: três ou três mil funcionários representam recursos humanos da mesma forma; um faturamento de um mil ou de um milhão ao mês são recursos que têm de ser geridos de maneira eficiente, da mesma forma. Assim, este livro apresenta, de maneira clara e objetiva, os principais modelos que vêm sendo utilizados por organizações do mundo inteiro, na tentativa de implementar as mudanças necessárias para enfrentar o futuro que se apresenta. Iniciaremos com uma discussão, como não poderia deixar de ser, acerca da concepção de processos e clientes, para, em seguida, partirmos para uma revisão de conceitos relacionados às estruturas organizacionais, aos desenhos organizacional e departamental abordando, também, as principais tendências do momento em termos de arquiteturas organizacionais. Os capítulos seguintes tratarão dos modelos selecionados, a saber: Sistemas de Trabalho de Alto Desempenho (STAD), Gerenciamento da Qualidade, Reengenharia e Aperfeiçoamento Contínuo. Gostaríamos de frisar que o que existe são situações, contingências, ambientes a serem considerados, culturas a serem respeitadas. As organizações nada mais são do que o reflexo da sociedade. elas são constituídas por pessoas e, conseqüentemente, serão limitadas tanto quanto o próprio Homem o é. Isso não deve representar um problema; essa consciência deve ser aceita e utilizada como uma vantagem. Talvez, a verdadeira e única mudança realmente inovadora esteja aqui, na aceitação da condição humana das organizações. Uma empresa sente, ressente, possui idiossincrasias, relaciona-se, cria vínculos, perde, ganha, passa por situações traumáticas, experimenta grandes alegrias etc. Ora, nada diferente do que se passa com qualquer pessoa.
