A Aprendizagem na Mediação Social do Aprendido e da Docência não se entende como simples adaptação ao que existe, ou mero acréscimo de conhecimentos e habilidades, mas como concreta configuração, reconstrução autotranscendente, do ser homem singularizado entre os homens. Mais especificamente, busca-se refletir sobre as dimensões da docência em sala de aula, no âmbito da escola concebida como lugar social das aprendizagens intencionadas e sistemáticas, uma específica forma de aprendizagem que supõe e se refere à anterioridade e concretude do aprendido nas vivências cotidianas dos diversificados lugares e tempos sociais, tais a família, os grupos de iguais, a esfera do poder público articulado pelo Estado, o cenário dos movimentos sociais, das organizações da sociedade civil diferençada e plural, das regionalidades dos saberes especializados e do exercício das profissões, âmbitos linguísticos específicos onde se cumpre o espaço público da práxis política que os legitima e articula.
Aprendizagem na Mediação Social do Aprendido e da Docência -
Mário Osório Marques
Edições (1)
Ver maisAs várias nuances da aprendizagem
No presente livro, Mário Osório Marques busca realizar uma discussão acerca da amplitude que implica o conceito de aprendizagem, em que a mesma se faz presente nas várias formas que assume na multidimensionalidade de tempos e lugares sociais habitados pelo educadores e educandos. Assim, se busca entender como a aprendizagem se dá no mundo da vida, como aparece no mundo objetivo da natureza, da cultura, em estruturação simbólica e na singularização dos sujeitos. O homem busca na sua realidade as experiências como base para correlacionar suas interações sociais e estimular a aprendizagem para uma nova etapa do desenvolvimento sociocultural. O modo de vida, portanto, é um instrumento mediador da aprendizagem, e assim, ao mesmo tempo em que o sujeito mantém sua subjetividade, ele estabelece as relações necessárias ao processo de desenvolvimento. Para o autor, as ações do cotidiano, rotineiras, é que são a origem dos questionamentos que norteiam os posicionamentos das ciências nos seus mais amplos contextos. Nesse sentido, a vida cotidiana implica na disseminação ambígua do real e do imaginário, fatores componentes da singularidade dos sujeitos. Os anseios naturais do homem de negar e/ou superar seus próprios limites elevam a flexibilidade da aprendizagem da vida humana em sociedade. Através desse percurso, de entender o sujeito nas diferentes estruturas; de como ocorrem suas aprendizagens nas diversas interações, é que se pode então, discutir sobre a aprendizagem na educação. Pois, é necessário que se considere a realidade dos sujeitos e o ambiente em que estão inseridos como pontos de partida para seu desenvolvimento social, cultural e intelectual. Tudo que nos cerca interfere em nosso desenvolvimento, assim como tudo o que fazemos interfere no desenvolvimento do outro e do ambiente que nos cerca. Desse modo, o autor deixa claro que se pretende que o currículo busque de uma forma ética e política, lidar com as questões primordiais dos conhecimentos científicos, buscando dialogar com a comunidade escolar, para que se escolha a educação ideal a todos. A ética das escolhas as definem, relevando o “que formar” e “para que formar”. Se pretende influenciar na criatividade, na pluralidade, escolhas, possibilidades, na atividade social e nas relações e interações dos discentes com o meio em que se encontram. O currículo, projeto político pedagógico tem essa responsabilidade, bem como aqueles que o criam. O currículo deve acompanhar as mudanças, pautando-se em novas perspectivas e metodologias, seguindo um fluxo inovador e coerente com a prática educativa na perspectiva do processo de ensino-aprendizagem que se espera, deixando de ser tradicional. Pautada na discussão pública renovada, os conteúdos devem ser trabalhados em conjuntos, de forma contextualizada, sempre priorizando a dialogicidade de professores-professores, alunos-professores, alunos-professores-comunidade escolar. Desse modo, a sala de aula faz parte da dinâmica curricular da escola. Dela fazem parte os professores e os alunos, sendo que os mesmos se comunicam entre si e para si, um adentrando e tentando entender a cultura do outro. É nesse sentido que a docência se constitui pela mediação. Ser educador não é ser transmissor de conhecimento, é reconstruir aprendizagens e conceitos científicos para o nível de práticas sociais, contextualizadas e atuais dos sujeitos aprendentes. Assim, as diferentes aprendizagens têm a capacidade de empoderar a teoria e a prática, proporcionando uma inter-relação entre ambas, sendo a prática compreendida e explicada. "Não se ensinam coisas ou saberes prontos, mas relações conceituais em que se articulam as práticas sociais com as razões que as impulsionam e dela derivam" (MARQUES, 200, p. 115).
Estatísticas
Avaliações
0 / 0- 5 estrelas0%
- 4 estrelas0%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%

