Para acabar esse livro a pessoa precisa dar uma respiração longa e profunda, acalmar um pouco. Pronto!
A história acompanha uma jovem criada por uma família de dentro da máfia russa que depois de um mal entendido acaba encontrando o chefe da máfia (ao qual a família que a criou serve).
Olha, esse livro tinha um mote super legal. Já vi/li sobre a Bratva (vide citações e situações na série Arrow) e fiquei decepcionada com o livro. Posso dar vários motivos, mas tentarei enumerar os principais (sim, enumerar, devido às inúmeras falhas).
1) A protagonista esqueceu a personalidade em casa. Em primeiro lugar ela é ou ingênua demais ou muito burra. Kyara consegue ser estúpida, besta e sem personalidade. Ainda assim é o "objeto" de desejo de dois homens da máfia.
2) Tentei a princípio relevar o machismo, mas não deu. Tem tanta coisa bizarra que eu deveria fazer uma lista só das cenas ou situações machistas no livro (e nem falo das relacionados à máfia).
3) Cárcere privado. A síndrome de A Bela e a Fera bateu com força aqui. Poderia tentar relevar muita coisa no livro, mas a protagonista entender e achar normal ser colocada em cárcere só porque está apaixonada é algo que não desce.
4) O vilão quase não aparece. Ele não tem voz até os 45 do segundo tempo. E isso é preocupante. Não sei quais são as regras da Bratva, mas a autora deixa as sandices do personagem parecerem planos reais. Onde que em uma máfia um dos mafiosos é assassinado por gente de dentro e a morte dele sequer vai ser investigada? E - mesmo que acontecesse de passarem a mão na cabeça - como não puniriam um cara tão imprudente mesmo com provas de seus crimes?
5) As mulheres são tratadas como objetos ou depósito de esperma ou bibelôs ou qualquer outra coisa que não mulheres. Somente uma personagem se destaca nadando contra a maré. Irina é basicamente a única que pensa e almeja uma carreira, pensar, não depender de um homem (emocional ou financeiramente).
6) Os personagens não tem evolução nenhuma. Eu acho que o livro foi escrito para ter cenas de sexo e apenas isso. Tanta cena de sexo e tão pouca história. Eu estava torcendo para ver mais da Bratva. E posso citar fanfics (The Crow, por exemplo) que trabalham a máfia de forma mais coerente e interessante.
7) Em alguns momentos o texto ficou confuso. Acho que houve uma confusão da autora com o emprego de verbos em diversas passagens.
8) Temos falta de continuidade nas cenas (como bem afirmou outra resenhista) difícil ler que Dmitri usou camisinha, fez sexo e não descartou. E não só uma vez. E falo isso porque a história é (ao que parece) centrada no sexo.
9) Dúvido que um chefe de máfia trabalhe tão pouco assim. Dmitri aparentemente vive em função de sexo e da protagonista. A Máfia só tem dois problemas?! Vai trabalhar, homem!!
10) Embora a escrita não seja decepcionante, o resto do enredo é. Inclusive a falta de necessidade de o livro ser na verdade uma trilogia. Se as cenas de sexo fossem reduzidas, a história toda caberia em um livro só. Acho que me enganei depois de ler A Fera do Norte, em que havia história, um enredo repleto de mistério e ação. Aqui acompanhamos as loucuras de um casal construído em cárcere privado, sexo e muita passação de pano.
Destaco como pontos positivos a história do estupro de incapaz e sua punição (uma das únicas partes em que se mostra o verdadeiro lado da máfia, sombrio e punitivo).
Gosto também do possível casal secundário. Vlad é um personagem interessante (embora destile seus machismos o tempo todo, principalmente para provocar Irina) e Irina, que é forte, decidida e apaixonada pela própria liberdade e pelo trabalho que faz. Talvez a pessoa mais focada do livro e com certeza a única mulher que se impõe e bate de frente quando precisa.
Não pretendo ler os livros da sequência. Esse por si só - com um final bem descarado - já é pesadelo suficiente para mim.