O cordel conta a história de Severa Romana, que no imaginário paraense é tida como santa popular, tendo o túmulo no cemitério de Santa Isabel visitado por pessoas que fazem preces diversas, principalmente para os relacionamentos. Segundo registros da obra, é a santa popular de maior visitação nos cemitérios de Belém.
A história aconteceu em 1900, quando Severa foi assassinada por um amigo hospedado em sua casa. O carrasco era soldado e aproveitou momento de ausência do esposo da moça para assedia-la e ter relações sexuais. Severa manteve sua dignidade e recusou, sendo então esfaqueada e degolada. O drama aumenta quando sabemos que também estava grávida.
A visão do martírio em face da honestidade é o que motiva os devotos. A admiração acaba despertando em muitos a disposição de elege-la como intercessora, parecendo confiança em seu caráter valoroso. Aspecto que não é difícil de se manifestar quando se associam carência, insegurança, certa ignorância e adesão a crenças em tradicionalismo arraigado há tempos.
Em minha leitura, o cordel mostrou um exemplo resoluto, enquanto vivência da honestidade, e a viva lembrança de Jesus Cristo como o Caminho, a Verdade e a Vida. Também situação que tem se repetido de maneira bárbara, apesar do avançar do tempo, o feminicídio.