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    ABCDelas -

    Janaina Tokitaka

    Companhia das Letrinhas
    2019
    64 páginas
    2h 8m
    ISBN-10: 8574068543
    Português Brasileiro
    4.6
    27 avaliações
    Leram31Lendo3Querem68Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos1Desejados68Avaliaram27

    Este é um livro abecedário muito diferente. A cada letra, o leitor vai conhecer histórias raras e valiosas de mulheres que revolucionaram seus campos de atuação. Foram essas heroínas do dia a dia que contribuíram para que as mulheres de hoje pudessem trabalhar em diferentes áreas, mesmo em profissões que um dia foram consideradas “masculinas”. Cada história biográfica é apresentada na forma de um pequeno conto muito bem-humorado acompanhado de lindas ilustrações que homenageiam as mulheres retratadas. O leitor será convidado a descobrir a história da aviadora brasileira Anésia Pinheiro Machado, da bióloga inglesa Margaret Elizabeth Fountaine, da chef de cozinha francesa Eugénie Brazier e de tantas outras profissionais incríveis.

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    Carlos Lucio picture
    Carlos Lucio22/06/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    http://gettub.com.br/2019/06/22/abcdelas/

    A escritora e desenhista Janaina Tokitaka tem mais de 30 títulos lançados, de sua autoria ou com alguma participação, entre eles o famoso TEM UM MONSTRO NO MEU JARDIM. Paulista, mãe de uma menina de 2 anos de idade, ela faz uma bem-vinda militância sobre o poder feminino, diversidade e inclusão social. Seu novo lançamento, ABCDELAS, desta vez pela Companhia das Letrinhas, apresenta um abecedário ricamente ilustrado, onde cada letra apresenta uma profissão e uma mulher que a exerceu de maneira singular, espetacular, com uma enorme relevância. Cada uma das letras, e profissões, e mulheres, vem acompanhada de um conto ficcional, ou não, bem humorado, que demonstra de forma clara, precisamente porque é endereçado a crianças, sobre como todas essas mulheres foram importantes, como eram discriminadas, e como isso era absurdo, injusto e sem sentido. A edição abre com a letra “A”, óbvio, de Aviadora, com Anésia Pinheiro Machado (1904, Brasil – 1999, Brasil), uma das primeiras mulheres brasileiras a receber um brevê, o diploma de aviação. Ela foi a primeira aviadora a realizar um voo entre dois estados, a atravessar as Américas e também a cordilheira dos Andes. O conto é uma narrativa sobre o que ela poderia ter pensado e sentido em seu voo entre a cidade de São Paulo e a cidade de Rio de Janeiro, com sua alegria ao sobrevoar o Cristo Redentor. A letra “E”, de Escritora, traz Maria Firmina dos Reis (1825, Brasil – 1917, Brasil), a primeira romancista afrodescendente do Brasil. Nascida no Maranhão, ela também foi professora de língua portuguesa. Escreveu ÚRSULA (e tem resenha no blog, só clicar aqui), um dos primeiros relatos abolicionistas. Fundou a primeira escola mista, com meninos e meninas, causando muita polêmica na época. O conto que acompanha a ilustração, narra sua indignação por escrever livros que meninos e meninas não poderia ler, e assim ela começa sua jornada para formar uma sala de aula mista, onde ela poderia ensinar não apenas a ler, mas também sobre igualdade. O “F”, de Filósofa, apresenta um conto bem humorado sobre Hipárquia de Maroneia (300 a.C., Grécia – 280 a.C., Grécia), que vivia nas ruas de Atenas, a Grécia, com Crates, seu companheiro e também filósofo. Os dois usavam roupas iguais e viviam o mesmo cotidiano, dividindo as tarefas igualmente e dedicando todo o tempo possível à filosofia. E o conto narra quando ela tentou participar de uma reunião e Teodoro não permitiu, dizendo que ela estava no local errado. A resposta de Hipárquia usou de pura filosofia para contradizer Teodoro, além de fazer todos os presentes rirem dele. Vale muito a leitura, dei altas risadas. Na letra “I”, temos uma Investigadora, Kate Warne (1833, Estados Unidos – 1868, Estados Unidos), a primeira detetive particular e espiã americana. Muito habilidosa e dedicada, ela foi responsável por descobrir um plano para assassinar o presidente Lincoln dos EUA, além de ter realizado muitos outros feitos na área. O conto é sobre uma entrevista de Kate para uma vaga de investigadora, e de como ela convence o delegado de que ela é a pessoa que ele precisa. A conversa entre eles é excelente! Ng Mui (1662, China – ?) é a dona da letra “K”, de Kung Fu. Sua história é lendária: Mui é considerada um dos grandes cinco anciãos, os principais mestres de kung fu que sobreviveram à destruição do Templo de Shaolin. Pouco se sabe sobre Mui, e a invenção do estilo de kung fu wing chun é associada a ela. Dizem, também, que Mui era filha de um importante general da dinastia Ming. O conto é sobre como Mui ajudou uma jovem que se recusava a casar com um homem que ela não queria, como a levou para o tempo e a treinou de uma forma que ela não precisaria mais se submeter às vontades dos homens. Emocionante! Sabe seu celular que se conecta via wi-fi? A rede em casa que compartilha a conexão com sua família? Sabia que ela foi criada por uma mulher? Sim, na letra “W”, de wi-fi, temos um conto sobre Hedy Lamarr (1914, Áustria – 2000, Estados Unidos), a criadora da tecnologia que possibilitou o sistema de Internet sem fio wi-fi, além de outras invenções. Hedy também foi uma atriz de grande sucesso em Hollywood. Sua aparência inspirou o desenho da personagem Branca de Neve no filme do estúdio de Walt Disney. O conto é sobre uma conversa que ela teria tido com seu marido, durante a Segunda Guerra Mundial, onde ela criou um sistema de comunicação entre os exércitos aliadas que era indecifrável para os nazistas. O “Y”, a penúltima letra, é sobre Yalorixá e traz a história de Maria Escolástica da Conceição Nazareth, Mãe Menininha do Gantois (1894, Brasil – 1986, Brasil). Ela foi uma das mais importantes mães de santo, ou yalorixás, do Brasil. Assumiu o terreiro do Gantois, em Salvador, com apenas vinte e oito anos de idade, e o transformou em um dos terreiros de candomblé mais conhecidos do país. Foi responsável por defender o candomblé da perseguição que sofreu no começo do século XX e popularizar a religião entre artistas, advogados, médicos e políticos. O conto é sobre um episódio que a incentivou a abraçar a religião, uma espécie de visão ou de profetização. Muito lindo! As 26 letras do alfabeto estão representadas em ABCDELAS por 26 mulheres únicas, espetaculares, em 26 profissões de enorme importância e relevância, com 26 contos deliciosos de se ler. A edição não é apenas para crianças, mas, e talvez principalmente, para adultos, para aquelas pessoas que precisam de um pouco de educação sobre o que é igualdade entre os gêneros, sobre o que é respeitar o próximo, como é não subestimar alguém apenas por seu sexo. Uma edição linda, com ilustrações pintadas que ficariam bem em qualquer parede, pura arte. Não se atreva a perder, leia!

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    Janaina Tokitaka profile picture

    Janaina Tokitaka

    Janaina Tokitaka nasceu em 1986. É bacharel em artes visuais pela Universidade de São Paulo e começou sua carreira como escritora quando publicou seu primeiro álbum ilustrado, Tem um monstro no meu jardim (Escrita Fina, 2010). Desde então, publicou quarenta outras obras para o público infantojuvenil. Pela Boitempo, lançou Pode pegar! (2017) e Fala baixinho (2020).

    19 Livros
    2 Seguidores
    São Paulo , Brasil

    Janaina Tokitaka