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    Um Mês no Campo -

    J. L. Carr

    Editora Globo
    2002
    162 páginas
    5h 24m
    ISBN-10: 8525035378
    Português Brasileiro
    3.6
    36 avaliações
    Leram44Lendo3Querem81Relendo0Abandonos0Resenhas5
    Favoritos5Desejados81Avaliaram36

    Durante o verão de 1920, Tom Birkin, um veterano da Primeira Guerra Mundial, abandonado pela esposa e sem um tostão furado, refugia-se em Oxgodby, um remoto vilarejo de Yorkshire, para restaurar uma grande pintura mural medieval recentemente descoberta na igreja local. Vivendo no campanário dessa igreja, ele trabalha diariamente para destapar a pintura que representa o Juízo Final.

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    Aline Aimée Oliveira21/08/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Beleza restauradora

    1 / 1 Decidi ler “Um Mês no Campo”, do inglês J.L. Carr, quando o vi indicado pela Lua, que o descreveu como um romance de poucos acontecimentos externos, mas em que muita coisa se transformava no interior dos personagens – um dos meus tipos favoritos de livros. Publicado em 1980, é uma obra breve, e muito sutil, que nos transporta para o pós-Primeira Guerra Mundial, em um pequeno vilarejo inglês chamado Oxgodby. O protagonista, Tom Birkin, é um ex-soldado londrino que carrega cicatrizes físicas e emocionais do combate. Ele é contratado para restaurar uma pintura mural em uma igreja, e ao longo de um mês de verão, experimenta uma espécie de cura, enquanto se relaciona com os habitantes do vilarejo e com outro veterano da guerra, Charles Moon. O romance tece, entre outras coisas, uma reflexão sobre o tempo e a memória. Birkin descreve esse período, em retrospecto, muitos anos depois. Às vezes, somente ao olhar para trás e recordar o que vivemos, nos damos conta do quão essenciais foram certas fases. Momentos em que simplesmente vivemos, passando por eles como passamos pelos dias, quase sem vê-los, quase sem perceber o seu peso e importância para o nosso desenvolvimento.   A restauração do mural serve como uma metáfora para a recuperação do próprio Birkin, que não se limitava a revelar a pintura escondida, mas se interessava, analisava a técnica empregada, intrigava-se com certas ousadias estéticas do pintor, especulava sobre as intenções do artista. Revelar a pintura instigava-o à curiosidade e à atenção, outras espécies de amor. E este amor foi habilitando o personagem a se abrir a outros contatos, a se permitir viver amizades, ser integrado na vidinha pacata dos camponeses, nutrir novos e revigorantes sentimentos. O autor, no entanto, destaca a natureza efêmera desses estados e conexões, sugerindo como são tanto preciosos quanto inevitavelmente passageiros.   A atmosfera do livro é melancólica, mas não sem esperança. Há uma sensação de perda, mas também de possibilidade, como se a vida estivesse oferecendo a Birkin, e por extensão a todos nós, uma segunda chance. Passaremos por muitas tormentas e desvios, mas também por oportunidades e surpresas. Carr nos convida a perceber a importância de se estar presente e sem pressa em cada momento, pois, quando menos esperamos, a beleza se revela, com seus mistérios e possibilidades.

    11 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 36
    • 5 estrelas14%
    • 4 estrelas42%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas6%
    Joseph Lloyd Carr profile picture

    Joseph Lloyd Carr

    Joseph Lloyd Carr, que se chamava "Jim" ou mesmo "James", era um romancista inglês, editor, professor e excêntrico. Carr escreveu oito curtas novelas que contêm elementos de comédia e fantasia, bem como passagens mais obscuras, baseadas em suas variadas experiências de vida como professor, viajante, jogador de críquete, jogador de futebol, editor e restaurador da herança inglesa. Seis dos oito foram publicados por editores diferentes; os dois últimos ele publicou em sua própria marca, o Quince Tree Press. Embora muitos dos personagens e incidentes, e até mesmo muitos dos diálogos, sejam extraídos da vida, ele sempre os leva um pouco mais adiante nos quadrinhos. Ele é amplamente considerado como um mestre da forma de novela, e sua obra-prima A Month in the Country foi nomeada para o Booker Prize em 1980, quando ganhou o Guardian Fiction Prize. Em 1985 ele foi listado novamente para o Booker Prize para The Battle of Pollocks Crossing. Dois de seus romances foram filmados: A Month in the Country (1987) e A Day in Summer(1989). Carr escreveu vários trabalhos de não-ficção que publicou em sua Quince Tree Press, incluindo um dicionário de jogadores de cricket, um dicionário de parsons e dicionários de reis e rainhas inglesas. Ele também forneceu o texto para vários livros escolares publicados pela Macmillan Publishers e Longman, que foram projetados para desenvolver as habilidades da língua inglesa das crianças.

    4 Livros
    2 Seguidores
    North Yorkshire, Inglaterra

    Joseph Lloyd Carr